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A vida pede ação, a alma atenção.

Ligia Santos

Estudante de psicologia, ama escrever e adora boas rimas. Gosta de passar o tempo ouvindo boas composições musicais e se diverte assistindo seriados, filmes e programas de culinária. Gosta de observar e ouvir boas histórias.Tem fé em Deus, na vida, nas pessoas e no futuro

Amar é Abalar-se

“A tentação de apaixonar-se é grande e poderosa, mas também o é a atração de escapar. E o fascínio da procura de uma rosa sem espinhos nunca está muito longe, e é sempre difícil de resistir (...). Investir no relacionamento é inseguro e tende a continuar sendo, mesmo que você deseje o contrário: é uma dor de cabeça, não um remédio.” Zygmunt Bauman


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Seja em canções, poemas ou poesias, as pessoas sempre arrumam uma maneira de falar e descrever o amor. Este que é um tema vasto, que pode ser exaltado ou rebaixado, uns dizem que amar é sublime, mas outros afirmam ser um enorme azar. O amor possui diversas faces, indo do mais puro ao mais malicioso, porém há sempre algo em comum, o querer bem. Quem ama quer o melhor para o outro, isso sendo recíproco ou não, há uma vontade quase que piedosa de felicidade alheia, que quando madura, apenas dá asas à liberdade do ser amado, seja em qualquer instância. O amor como ideal é muito frequente desde os primórdios da sociedade, como na crença cristã, Deus criou Adão e Eva para que juntos, formassem uma união.

Assim, como seres extremamente sociais, costumeiramente procuram por um par, alguém para amar, e mais do que isso, uma pessoa que ame a singularidade alheia. Deste modo, saem em busca, muitas vezes desenfreada, por um preenchimento de vazios que frequentemente não são sanados, pois há nos seres humanos uma identidade particular, que não permite que ocorra uma completa integração com o outro, não existindo assim, alguém que possa verdadeiramente ser uma completude. É preciso tomar consciência de que pessoas em metades não constroem relações saudáveis.

Também é necessário ter a compreensão de que o amor é habilidade e disposição, como fala o psicanalista e filósofo alemão, Erich Fromm “O amor é uma arte, assim como viver é uma arte; se quisermos aprender como se ama, devemos proceder do mesmo modo por que agiríamos se quiséssemos aprender qualquer outra arte, seja a música, a pintura, a carpintaria, ou a arte da medicina ou da engenharia”. Portanto, para ser um artista do amor é preciso disposição para ser aprendiz, ter a consciência de que amar é diferente de sentir carência, desejo ou paixão, o amor é ato de paciência e superação de misérias.

Os relacionamentos têm sido muito fugazes, as pessoas estão sempre a procura de novidades, se cansam rapidamente e perdem a euforia da primeira vista. É a sociedade imediatista e do consumo que ao ver um novo modelo, uma tecnologia mais avançada já está pronta para descartar o que tem nas mãos. É tudo muito impulsivo e vasto, perder tempo conhecendo alguém é dispersar a chance de falar com várias outras pessoas. Zygmunt Bauman, em seu livro (Amor Líquido - Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos) fala que aprender a arte de amar não é o reflexo de prazer instantâneo e satisfação efêmera como a sociedade líquida apresenta, mas sim, consequência de humildade e coragem em grandes proporções.

O medo de não ser correspondido e também de sofrer pode trazer como sequela envolvimentos rasos e relações superficiais, quando o receio apodera do sujeito, este já não consegue agir de forma tão consciente, deste modo, padece por não conseguir lidar com a vontade e a realidade tão conflitantes e ambíguas. Lenine, em uma de suas músicas intitulada “Miedo” relata sobre esse receio que surge, muitas vezes como um impedimento para a vida, para o amor.

“Têm medo do amor e medo de não saber amar, têm medo da sombra e medo da luz (...) O medo é uma sombra que o temor não desvia, o medo é uma armadilha que pegou o amor. O medo é uma chave que apagou a vida, o medo é uma brecha que fez crescer a dor”

A grande questão que fica é se realmente vale viver as incertezas do amor, se deixar os laços menos frouxos e compartilhar das aventuras da vida com alguém causará alegrias num futuro. Às vezes, as pessoas só precisam de autoconhecimento, aceitar e ter acesso a tudo que lhe pertence, pois assim, as maiores decisões são assertivas e bem vividas. O que importa é aprender e conseguir amar, não tratando pessoas como meras mercadorias, mas tendo responsabilidade e respeito à alteridade.

“O amor (..), é a vontade de cuidar, e de preservar o objeto cuidado. Um impulso centrífugo, ao contrário do centrípeto desejo. Um impulso de expandir-se, ir além, alcançar o que "está lá fora". Ingerir, absorver e assimilar o sujeito no objeto, e não vice-versa, como no caso do desejo. Amar é contribuir para o mundo, cada contribuição sendo o traço vivo do eu que ama. No amor, o eu é, pedaço por pedaço, transplantado para o mundo. O eu que ama se expande doando-se ao objeto amado. Amar diz respeito a auto-sobrevivência através da alteridade. E assim o amor significa um estímulo a proteger, alimentar, abrigar; e também à carícia, ao afago e ao mimo, ou a — ciumentamente — guardar, cercar, encarcerar. Amar significa estar a serviço, colocar-se à disposição, aguardar a ordem. Mas também pode significar expropriar e assumir a responsabilidade. Domínio mediante renúncia, sacrifício resultando em exaltação. O amor é irmão xifópago da sede de poder —nenhum dos dois sobreviveria à separação.” Zygmunt Bauman

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Ligia Santos

Estudante de psicologia, ama escrever e adora boas rimas. Gosta de passar o tempo ouvindo boas composições musicais e se diverte assistindo seriados, filmes e programas de culinária. Gosta de observar e ouvir boas histórias.Tem fé em Deus, na vida, nas pessoas e no futuro.
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