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A vida pede ação, a alma atenção.

Ligia Santos

Uma grande flertadora apaixonada pela Psicanálise que ama questões da humanidades

Conhece-te e transforme em si mesmo

As diferenças têm sido vistas como monstruosidades que devem ser evitadas, desde as vestimentas até as vontades precisam seguir padrão, porém cada ser humano é singular e plural, ao mesmo tempo. É preciso o autoconhecimento para que a essência não perca a sua olência vital. Diante de uma sociedade assim, ter verdadeiramente uma identidade é um ato glorioso.


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Todas as pessoas nascem únicas, singulares, as diferenças, por mais que não apareçam, existem, até entre irmãos idênticos (aparentemente). Isso porque cada ser humano é dotado de vontade própria, de razão individual, de uma vastidão de mundo interior causadora da diversidade humana. Entretanto, os contrastes tão naturais e frequentes não possuem tanto valor na sociedade, todos têm lutado para seguir o que é ditado pela moda, através da televisão e dos meios sociais, seguir o padrão é o meio mais fácil para perder-se. Quando isso ocorre, as ações passam a ser automáticas, muitas coisas e decisões não são bem pensadas, há apenas um movimento contínuo que segue a opinião, a atitude e olhar alheio.

O detrimento da própria personalidade causa medos, pois a pessoa não possui um rumo pessoal, passando a sobreviver com vazios interiores que não raramente são disfarçados pela exuberância e exagero dos atos exteriores, vivendo de aparências físicas e sociais. Passa a existir uma necessidade insaciável de aprovação, como também as comparações com os outros, enxergando mais o sucesso ou o fracasso de outrem. E diante disso, tudo parece ofensivo, como se houvesse uma trama a ser vencida. Bem como o receio de ser excluído, o ser humano perde a visão de si mesmo, suas referências pessoais são quase nulas existindo somente pela ideia de quem a observa. Entretanto, esse caminho é necessário para que o encontro consigo mesmo seja efetivo, às vezes, esta é a única forma de fazer com que você perceba-se tão de fora que retorno seja fundamental.

Contudo, é primordial que os receios sejam deixados de lado, não dá para evoluir com tantos medos e temores. Identificar os motivos de tanta resignação diante das idéias alheias é o que levará cada vez mais a raiz das questões interiores mais importantes. Enxergar suas misérias e limitações com transparência é algo muito difícil, pois geralmente, as pessoas demonstram sabedoria e eloquência sobre qualquer tipo de assunto e tema, é quase imperdoável, muitas vezes, não saber, manifestar fraqueza. Porém, quando se toma consciência de onde é preciso ajuda ou melhoria, ocorre uma libertação das amarras da deslealdade própria. E assim, aos poucos, cada vez mais a descoberta da identidade pessoal altera a contemplação de mundo. É a extrapolação do ideal para chegar ao real, como disse o grande psiquiatra e psicoterapeuta Carl Gustav Jung “Aquele que olha para fora sonha. Mas o que olha para dentro acorda”.

Assumir a sua identidade, sua personalidade com todos os lados, bons e ruins, faz com que os relacionamentos sejam menos projetivos, no sentido em que se deixa de criar expectativas ilusórias sobre as atitudes alheias. Muitas vezes as pessoas se decepcionam com aquilo que foi imaginado e desejado, porém, ao compreender que todos são distintos, a expectação torna-se menor, com a possibilidade de chegar ao ponto de aceitação e compreensão de que o outro é um todo que independe de comandos ou vontades suas. As atitudes sempre são um reflexo de uma relação bem ou mal construída.

Nesta jornada em busca ao encontro de si mesmo, o mais valoroso é a aceitação, pois deste modo, o autoconhecimento torna-se um aliado, não havendo assim, lacunas sombrias que amedrontem. É um caminho a ser trilhado que levará sempre a grandes descobertas pessoais, porém é árduo, pois colide com dores, mágoas ou amores que quando mal resolvidos, continuam a atrapalhar a vida. É preciso coragem e arriscar, pois o crescimento e o amadurecimento levam tempo, mas são frutos de uma construção firme carregada de afetos, que compensam, gera lucro emocional. E o momento certo é aquele em que a alma clama, assim como lindamente diz Rubem Alves “A alma é uma borboleta...Há um instante em que uma voz nos diz que chegou o momento de uma grande metamorfose...”


Ligia Santos

Uma grande flertadora apaixonada pela Psicanálise que ama questões da humanidades.
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