animar

A vida pede ação, a alma atenção.

Ligia Santos

Estudante de psicologia, ama escrever e adora boas rimas. Gosta de passar o tempo ouvindo boas composições musicais e se diverte assistindo seriados, filmes e programas de culinária. Gosta de observar e ouvir boas histórias.Tem fé em Deus, na vida, nas pessoas e no futuro

Frozen: A união do feminino como meio de salvação

A salvação só poderia vir de um ato de amor, este que não veio de um príncipe, mas de uma irmã. A rainha da história tem o poder de congelar as coisas e ela não tem uma figura masculina ao seu lado, Elsa foi contida, mas é poderosa. Junto de Anna, ambas tornam-se as representantes da destreza feminina.


Imagen Thumbnail para frozen.jpg

A história de Frozen foi inspirada em “A rainha do gelo”, de Hans Christian Andersen, porém, com diversos aspectos diferentes e com um enredo bem adaptado e atual. Frozen é vista como uma obra de exaltação do feminino, onde o amor fraternal entre irmãs é o antídoto e a salvação para a história de ambas. O filme inicia com os cortadores de gelo, essa que é uma antiquíssima profissão frequente em países onde há neve. Os trabalhadores entoam um canto que antecipava um pouco da trama: Golpeie o coração por amor, congelado por temor/ Belo e ameaçador, quebre o gelo, então/ Do gélido coração!

Vemos também uma criança que imitava tudo o que aqueles homens faziam, era Kristoff, um menino que desde muito cedo aprendeu a lidar com a vida e que posteriormente ajuda as irmãs do reino de Arendelle, Anna e Elsa.

Elsa é uma garota que possui o poder de transformar e criar coisas em gelo, entretanto, num certo dia, enquanto brincava com Anna, a menina acaba ferindo sua irmã mais nova. Os pais das garotas vão buscar ajuda dos trolls, que realizam a cura de Anna e removem da memória de Elsa tal momento. Porém, o rei e a rainha decidem por deixar as meninas dentro do castelo real e Elsa se isola com o temor das suas próprias forças. O tempo passa, o pai e mãe reais morrem em um trágico naufrágio e Elsa assume o reinado de Arendelle. Contudo, nesta jornada, as pessoas acabam descobrindo os poderes mágicos da rainha, que aflita, se refugia em um castelo no topo das montanhas, a partir desse momento, a história toma um fôlego novo, Anna parte em busca da irmã para salvar o reino congelado e também por acreditar na bondade de Elsa.

Elsa carrega a aparência de uma pessoa equilibrada e reservada, porém ela teve que esconder seus poderes, não sentindo e não deixando ninguém saber, sendo assim uma “boa menina”. Quando suas habilidades se tornam públicas, Elsa demonstra sua raiva, ela discute com Anna e foge do reino. A psicóloga Clarissa P. Estés retrata sobre a explosão de fúria que se encaixa com o momento vivido por Elsa, diz ela: “Se a mulher foi criada com expectativas positivas inferiores às de outros membros da família, com severas restrições à sua liberdade, às suas atitudes, ao seu linguajar, entre outras, é provável que sua raiva normal cresça diante de assuntos, tons de voz, gestos, palavras e outros gatilhos sensoriais que a façam se lembrar dos acontecimentos originais. Podemos chegar bem perto de uma reconstituição dos traumas da infância ao examinar com cuidado o que faz com que os adultos percam o controle.” Toda a pressão para que Elsa ficasse calma e controlasse seus impulsos culminou com a sua insegurança em relação ao outro, no momento mais difícil ela se isola, pois pensa que sua presença é nociva às pessoas. A rainha de cabelos brancos constrói seu castelo particular de gelo distante de todos, no topo da montanha que simboliza o enfrentamento com a sabedoria e um aprofundamento do conhecimento.

Elsa no seu reduto se depara com a liberdade e a solidão, o que não necessariamente é visto como algo ruim, pois esta é a forma que ela possui para tomar consciência de si mesma. Também vemos a personificação da introversão em Elsa, sua energia é voltada para o seu interior. Diferentemente de Anna, que tem sua carga psíquica voltada para o exterior.

A princesa Anna é impulsiva, expansiva e possui um desejo grande de conhecer o mundo. Ela demonstra sua impetuosidade ao aceitar o pedido de casamento de Hans, alguém que ela tinha acabado de conhecer, que, entretanto, prometera nunca abandoná-la. A jovem é também destemida e acredita na bondade da irmã. As duas, apesar das diferenças se amam e são companheiras desde a infância e isso é o que a história carrega de mais puro, o afeto entre ambas.

Os outros personagens de Frozen possuem grande importância, como Hans, um príncipe das ilhas do sul que inicialmente se mostra uma pessoa de bem, mas que com o decorrer do filme deixa sua face maldosa aparecer. Algo diferente das outras animações é que o príncipe da história é o antagonista principal, ele se exibe como uma pessoa gentil e sedutor para Anna, mas é alguém que busca um lugar no mundo e não deseja menos que ser o rei de Arendelle. Na realidade, Hans é o detentor do coração mais frio, pois é ambicioso e calculista, dono de uma índole duvidosa que o poder é capaz de corromper. Já o aventureiro Kristoff, que acompanha Anna em seu percurso, é alguém um tanto selvagem, que possui a todo tempo a companhia de uma rena (Sven). Apesar dos trolls pressagiarem um romance entre Anna e Kristoff não foi algo que aconteceu efetivamente, ainda que a princesa quisesse encontrar um amor.

Outro personagem merecedor de destaque é o Olaf, o boneco de neve criado por Elsa que deseja muito conhecer o verão. Ele representa a redenção de Elsa, pois é uma obra viva dos poderes dela, algo que ela deu vida. Olaf é o elo entre as irmãs, quem ajuda ambas a se aproximarem, apesar das diferenças.

td.jpg

O filme é uma linda obra que desconstrói alguns padrões, o príncipe não é bonzinho nem salva a princesa, a rainha é introvertida e é quem liberta a irmã da morte, através das suas lágrimas e de seu amor fraternal e puro. A força do feminino é muito bem retratada, a mulher como rainha, princesa, salvadora e poderosa.


Ligia Santos

Estudante de psicologia, ama escrever e adora boas rimas. Gosta de passar o tempo ouvindo boas composições musicais e se diverte assistindo seriados, filmes e programas de culinária. Gosta de observar e ouvir boas histórias.Tem fé em Deus, na vida, nas pessoas e no futuro.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/cinema// @obvious, @obvioushp //Ligia Santos