Matheus Paulo Melgaco

Estudante de Jornalismo na PUC-Rio e de Ciências Sociais na UERJ. Alguém que Deus insiste em chamar de filho. E como dizia Nelson Rodrigues: "sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura".

complexos, contraditórios e imperfeitos

Quando crianças, somos ensinados que o propósito na vida de uma pessoa é nascer, reproduzir e morrer. Início, meio e fim. A frase simplista e cheia de defeitos, funciona em uma determinada fase. No entanto, com o tempo, nos deparamos com algo maior. Percebemos que nascemos para ser e fazer mais coisas do que dizem que nascemos para tal. E onde percebemos este prisma de escolhas é no meio.


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Lá fora. Ao olhar com sensibilidade e abrir a velha janela cujos conceitos engessados se perpetuam de geração para geração, percebe-se que a vida é bem mais que tudo que é dito e feito pela maioria. Ao sair da zona de conforto, do círculo de amizades cujo jogo social já conhecemos e fazemos parte, nos damos conta de uma infinidade de questões e ofertas que antes pareciam inimagináveis, dada a cegueira social que o “olhar para o próprio umbigo” faz.

A percepção do “o outro”, não se dá no início, quando se julga imaturo demais, fraco demais e frágil demais. Tampouco no fim, quando se julga forte demais, ocupados demais e cansados demais. O entendimento da existência “do outro” enquanto ser humano e de si mesmo, enquanto outro ser humano, se dá no meio, porque é quando não se sente fraco o suficiente para não arriscar e nem forte o suficiente para olhar “o outro “ de cima para baixo. Assim, nos damos conta, que é no meio que a vida, de fato, acontece. Porque é no meio que somos obrigados a fazer escolhas a todo momento. Umas mais difíceis e outras nem tanto, e de escolhas em escolhas, percebemos o quão determinantes elas se tornam: “Coca ou Pepsi?” “Praia ou montanha?” ”Engenharia ou Design?” “Insistir ou desistir?” Que um amigo não substitui um amor, daqueles calmos, tranquilo, que aquece a alma e, como cantava Cássia Eller “com sabor de fruta mordida”. A propósito, é no meio que se aprende que experimentar gostos e sensações, sem amor, é ginástica, e não sexo. E que, talvez, o melhor mesmo talvez seja o bom e velho clichê de uma terça-feira chuvosa, “no embalo da rede, matando a sede na saliva”. É no meio que vemos que tocar a dor do outro requer sutileza, que para entrar em um relacionamento a dois é necessário mais que “coisas em comum”. Ah, e o amor próprio. Palavra mágica que aprendemos a admirar, porque voltar para casa sozinho pode ser uma escolha.

Além disso, no meio se aprende, como alunos atentos a cada palavra dita pelo professor, uma série de palavras como: medo, felicidade, intolerância, injustiça, coragem, futuro, saudade, paixão, ausência... E ao aprender e vivenciar estas e outras palavras, vez ou outra, erramos, em uma tentativa honesta de acertar. Afinal, somos complexos, contraditórios e imperfeitos.


Matheus Paulo Melgaco

Estudante de Jornalismo na PUC-Rio e de Ciências Sociais na UERJ. Alguém que Deus insiste em chamar de filho. E como dizia Nelson Rodrigues: "sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura"..
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