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Amor, livros, arte... Algumas coisas são melhores em grandes doses!

Carolina Borba

Leitora desde que eu me conheço por gente, meu universo são os livros, as histórias que vivo sem sair do quarto, os personagens com personalidade tão diferentes que eu experimento, as vidas que eu, a cada página, pego emprestado!
Também brinco no blog Culta Insensatez.

Intemporalidade de Romeu e Julieta

Até hoje levanta-se uma discussão sobre o que motivou Shakespeare a escrever Romeu e Julieta. Há quem diga que a história é baseada em fatos reais, outros alegam que a história já era passada de boca em boca e que Shakespeare somente a colocou no papel. Sendo uma obra original do autor ou não, o fato é que Romeu e Julieta já fazia sucesso antes de existir com esse nome.


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Dois jovens se apaixonam mas não podem ficar juntos. O destino já tinha outros planos para eles. Promessas de casamento, famílias que não aceitam a união, a tentativa de permanecerem juntos... Tragédia! A história acaba com a morte dos dois.

A história parece familiar? E é mesmo. Romeu e Julieta? Talvez. Também poderia ser Tristão e Isolda, Laila e Majnun... As histórias se parecem embora tenham sido escritas em épocas diferentes.

Laila e Majnun, por exemplo, é uma história de amor escrita pelo poeta Kais Ibn Almoulawwah, onde Majnun é, literalmente, ”louco de amor”. O poeta Kais a escreveu em homenagem a sua prima Layla e inspirou o escritor persa Nizami no séc. XII a reproduzi-la. É o Romeu e Julieta do mundo árabe, relatando um amor real que também terminou em tragédia... Mas, curiosamente, a famosa obra de amor de Shakespeare foi escrita apenas no final do séc. XVI... Onde está a originalidade do mestre Will?

Tristão e Isolda também foi inspirada em contos que se ouviam no séc. XII, provavelmente de origem celta. A história venceu o tempo e pode ser encontrada em As Crônicas de Artur, de Bernard Cornwell. Prova que estas histórias continuam tão contemporâneas como na época em que foram escritas.

Até hoje levanta-se uma discussão sobre o que motivou Shakespeare a escrever Romeu e Julieta. Há quem diga que a história é baseada em fatos reais, outros alegam que a história já era passada de boca em boca e que Shakespeare somente a colocou, com maestria diga-se de passagem, no papel. Sendo um obra original do autor ou não, o fato é que Romeu e Julieta já fazia sucesso antes de existir com esse nome, e faz ainda hoje tanto nos livros como nos cinemas e teatros... Qual o segredo?

Penso que William Shakespeare, se não foi original em sua peça, foi, no mínimo, dono de uma sacada brilhante: amor juvenil cheio de aventura, sofrimento e entrega é uma receita pronta para qualquer história de sucesso, ou que pelo menos atrai um público considerável.

Independente de terminar em mortes ou com finais felizes, o amor adolescente, aquele que nos faz lembrar do primeiro amor, cheio de pureza e que parece que nunca vai acabar, sempre será a cereja do bolo de qualquer história.

O brilhantismo de Shakespeare não estava só em sua habilidade de escrever de maneira envolvente, se manifestava também na percepção de utilizar o sentimento que atravessa fronteiras e gerações para alcançar o sucesso. Claro que colocar uma tragédia romântica nos palcos no séc. XVI foi muito mais ousado do que é hoje apresentar Romeu e Julieta em qualquer palco ou tela de cinema. Nem mesmo as versões mais modernas da obra seriam tanta prova de coragem quanto se expor com o teatro naquele tempo. Será que ele sabia que sua obra ainda seria famosa após tantos séculos? Será que imaginava que continuaria sendo apontada como se tivesse sido escrita recentemente? Prefiro imaginar que sim. Que Shakespeare não subestimava o poder desse tema e acreditava que, sendo sua obra ou não, Romeu e Julieta era a grande sacada de marketing. O amor é a ideia mais utilizada para incrementar qualquer história e, ainda assim, parece nunca sair de moda.

Mesmo sabendo o final, as pessoas parecem não cansar de explorar a mais famosa tragédia shakesperiana. O amor proibido é um afrodisíaco! A ideia de lutar por alguém contra toda a família e sociedade, embora pareça ultrapassada, ainda é atual. Ainda há o preconceito contra diversas formas de amar, contra a união com diferenças étnicas, sociais, culturais, religiosas. Se o amor proibido, mesmo hoje se debatendo tanto contra a discriminação, ainda é algo fácil de se encontrar, então todas as outras histórias românticas continuam em alta, presentes na vida de cada pessoa. Em cada história lida ou vivida há uma identificação com algum momento pessoal, alguma situação em que se sonhava com a vida com um outro alguém. É aí que o amor ganha público! Se aproxima de histórias reais, dialoga com o leitor fazendo-o lembrar de emoções que trazem saudade, ou que se sente e se emociona.

E que este tema continue em evidência, como prova de que o ser humano ainda se encanta com um casal bobo enamorado, que ainda não se esqueceu de como é sentir o frio na barriga, ter os olhos brilhando ao ver a pessoa amada, ter vontade de se sacrificar por alguém que se torna mais importante do que si mesmo. Estas histórias representam os sonhos românticos, despertando para um lado mais puro que cada um traz consigo. Independente se serão tragédias ou apenas um romance gostoso e fácil de ler, estes autores sabiam que estavam apelando para os sonhadores.


Carolina Borba

Leitora desde que eu me conheço por gente, meu universo são os livros, as histórias que vivo sem sair do quarto, os personagens com personalidade tão diferentes que eu experimento, as vidas que eu, a cada página, pego emprestado! Também brinco no blog Culta Insensatez..
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