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Amor, livros, arte... Algumas coisas são melhores em grandes doses!

Carolina Borba

Leitora desde que eu me conheço por gente, meu universo são os livros, as histórias que vivo sem sair do quarto, os personagens com personalidade tão diferentes que eu experimento, as vidas que eu, a cada página, pego emprestado!
Também brinco no blog Culta Insensatez.

A (re)construção e desconstrução de conceitos

Somos parte de uma sociedade. Somos moldados por essa sociedade. Nossa ideia de liberdade está restrita por nossa cultura imposta, nossas escolhas são as que nossa cultura permite dentro da ideia do que é possível, do que é correto.


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Tudo o que somos, o que pensamos, o que definimos como certo e errado, bonito e feio, orgulho e vergonha estão dentro do que aprendemos na cultura da nossa sociedade.

Todos os conceitos são mutáveis. As definições que moldam o modo que levamos a vida e as ideias que achamos inéditas estão dentro do leque do que o pensamento contemporâneo ocidental permite que tenhamos. Estes conceitos foram herdados, mudados, descartados e resgatados ao longo do espaço e do tempo.

Em outra época, em outro lugar, a noção de beleza, de justiça, de sucesso variam. Isso é o que faz com que haja diversidade no mundo. As lições aprendidas hoje são heranças daquilo que se julgou plausível ou não manter. Os conceitos foram construídos baseados em acontecimentos passados. Sociedades que seguiram outros rumos, definiram outros conceitos, outra visão.

Essas semelhanças servem para caracterizar um grupo dentro de um tempo e espaço, para que as pessoas possam conviver partilhando de uma cultura que compreende os mesmos sinais, permitindo que interajam.

Já as diferenças existentes entre um grupo e outro servem, muitas vezes, de motivos para desavenças. Onde um julga o outro de acordo com o seu olhar sobre o mundo. Julga suas ações de acordo com o seu conceito de certo e errado. Por isso se torna inadmissível aceitar aquilo que lhe parece absurdo, sem considerar, contudo, que o mesmo olhar sobre seus gestos está te sendo direcionado pelo outro.

O resultado? Intolerância! As atitudes? Ignorantes!

Pessoas agem com preconceito pensando estar agindo dentro daquilo que julga correto, seja dentro de uma ideologia política, social, cultural ou religiosa. Cristãos, por exemplo, criticam religiões diversas acusando de paganismo, ignorando os símbolos herdados do politeísmo dentro de sua própria religião, os sinais mesclados de diversas culturas em suas ações cotidianas.

Um grupo étnico discrimina outro ignorando muitas vezes seu passado em comum, ou ainda aquilo que usa no seu dia a dia aprendido com povos que originaram o grupo alvo de seu preconceito.

Fala-se em inclusão ignorando que a palavra incluir, quando se trata de cultura, é extremamente perigosa e preconceituosa. Ao defender a inclusão cultural pensando agir de boa fé pode significar pensar que o outro deve ter o “benefício” de aprender a seguir os seus conceitos de certo e errado, admitindo que os conceitos dele não estão certos como os seus. Não se deveria falar em incluir, e sim em conhecer, respeitar, conviver...

As pessoas deveriam procurar enriquecer suas mentes aprendendo o novo sem julgamentos. Aprender a admirar as diferenças ainda que não as compreendam totalmente porque estão moldados por outra visão de cultura.

Talvez assim tanta violência, tanta crueldade diminua.

Vamos parar de olhar o outro como sendo “só o outro”. Lembrem que os mesmos padres que pensavam salvar os índios durante a colonização, os vestiram, mudaram suas crenças, contribuíram para que abandonassem suas culturas.


Carolina Borba

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