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Amor, livros, arte... Algumas coisas são melhores em grandes doses!

Carolina Borba

Leitora desde que eu me conheço por gente, meu universo são os livros, as histórias que vivo sem sair do quarto, os personagens com personalidade tão diferentes que eu experimento, as vidas que eu, a cada página, pego emprestado!
Também brinco no blog Culta Insensatez.

Carta para uma mãe

Porque, mãe, há muito tempo não te escrevo...


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Na verdade nem sei quando foi a última vez que te escrevi. Talvez ainda fosse criança com uma caligrafia torta, mas orgulhosa em mostrar que estava aprendendo, que estava crescendo. E cresci como você dizia que aconteceria: mais rápido do que eu escolheria se eu pudesse... Se eu soubesse!

A vida mostrou tudo aquilo que você já me avisava e eu não ouvi. Como seria fácil se eu pudesse ainda simplesmente sentar no seu colo para resolver meus problemas, afastando os meus medos. Como seria fácil se os meus medos fossem do Freddy Krueger, dos trovões, do cachorro bravo...

Eu te pedia para não sair de perto de mim nas horas difíceis, para não me deixar, sem saber que você já sabia que um dia eu a deixaria. Eu cresci e segui meus próprios passos. Tenta não guardar as mágoas que já te causei. Tenta esquecer as frases duras que eu já te falei.

Eu errei, mesmo você me alertando o erro. Quem dera as vezes em que caí ainda fosse da bicicleta, da árvore... Quem dera os meus problemas se resumissem a joelhos ralados. Mas, assim como na infância, eu me levantei. Você não estava lá dessa vez me estendendo os braços, mas eu te vi todas as vezes em que me reergui e me reinventei porque você me ensinou que tinha que ser assim!

Hoje não volto para casa sentindo aquela segurança só porque você está lá, não me espera a comida quentinha e a roupa limpa e cheirosa , não peço mais para dormir na sua cama, não faço presentes na aula de Artes que você finge ter achado bonito. Hoje não basta uma história para me fazer dormir, nem cócegas para me fazer sorrir. Se eu soubesse não teria desejado crescer tão rápido, continuaria segurando a sua mão para atravessar a rua, continuaria te esperando ansiosamente para me buscar na escola.

Eu segui minha vida e agora vejo que nem sempre fiz as melhores escolhas, mas quando olho para trás vejo você me observando da mesma forma que me olhou quando me levou no primeiro dia de escola: coração apertado por saber que não poderia me acompanhar em todos os momentos, mas vibrando com cada pequena conquista, esperando a hora de me reencontrar.

Mas mãe, no fundo pouca coisa mudou, vejo os seus olhos todos os dias no meu espelho e lembro que se sou mulher forte é porque tive uma guerreira que me criou. Eu ainda volto para casa todos os dias. Ainda sinto sua mão me segurando e me incentivando aonde quer que eu vá, pois carrego comigo tudo o que me ensinou. Eu não subo mais no seu colo, mas lembro da sensação.

Na memória, eu sempre volto para casa!


Carolina Borba

Leitora desde que eu me conheço por gente, meu universo são os livros, as histórias que vivo sem sair do quarto, os personagens com personalidade tão diferentes que eu experimento, as vidas que eu, a cada página, pego emprestado! Também brinco no blog Culta Insensatez..
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