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Amor, livros, arte... Algumas coisas são melhores em grandes doses!

Carolina Borba

Leitora desde que eu me conheço por gente, meu universo são os livros, as histórias que vivo sem sair do quarto, os personagens com personalidade tão diferentes que eu experimento, as vidas que eu, a cada página, pego emprestado!
Também brinco no blog Culta Insensatez.

Recado para meu eu de 17 anos

Quando eu tinha 17 anos e estava terminando o Ensino Médio a vida parecia estar se iniciando para mim. Finalmente eu me sentia deixando a infância que restava em mim para dar os primeiros passos para a vida adulta. Cheia de expectativas, eu tinha um plano de vida que, na época, me parecia bem traçado. Só que deu errado!


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Se eu pudesse me comunicar com a garota que fui há 17 anos a alertaria para algumas coisas que eu não sabia. Havia uma excitação e grande preocupação em delimitar minha vida adulta para que eu encontrasse logo o amor, a estabilidade e o prestígio, entre outras coisas que eu achava que seria importante e hoje não perco tempo me preocupando com elas.

Aos 17 anos eu tinha planejado meu futuro cronologicamente, e imaginava que hoje,17 anos depois, já teria uma carreira com quem sempre sonhei, estaria vivendo ao lado do amor da minha vida numa linda casa, feliz por todas as conquistas e colhendo os frutos do meu trabalho e de longos anos de estudo. Errado! Não tenho uma carreira estável, não estou casada e nem tenho uma linda casa fruto de meu trabalho.

Eu não fiz a faculdade que eu mais queria, fiquei com a segunda opção, e embora às vezes eu me pergunte como teria sido se a tivesse feito eu descobri uma vocação a qual não tinha e nem imaginava que existisse naquela época. Não sou infeliz com meu trabalho, mas não saiu como eu esperava.

Eu encontrei o amor sim, mais de uma vez! E eles fizeram aquelas paixonites adolescentes se tornarem exatamente o que eram: paixonites adolescentes! Talvez ao saber disso, meu eu do passado se entristeça em saber que encontrei o que achei que seria o amor da minha vida algumas vezes e em todas elas eu estivera enganada. Seria difícil para meu eu adolescente entender todas as vezes valeram a pena, todos os relacionamentos deram super certo pelo tempo que duraram e, apesar de haver término e decepções, eu também fui feliz e não mudaria nada do que me ensinaram. Eles me prepararam para quem sou e o que tenho hoje!

Também o meu eu do passado não gostaria de saber o quão tola parece agora com todas as suas regras e convicções, seus julgamentos do certo e errado. Sim, eu contrariei a maior parte de minhas próprias regras, errei com coisas que já achava errado antes, mas foram necessárias para me mostrar que na verdade nada disso era tão abominável como que achava. Algumas coisas serviram para reforçar a minha opinião sobre o certo e o errado, mas agora com um olhar mais humano, sem o posicionamento de juíza das atitudes dos outros.

Sofri bastante, e magoei muito também. Mas eu aconselharia o meu eu do passado a não temer estas coisas, pois elas passaram assim como passarão tudo o que ainda estiver por vir.

Eu perdi pessoas que idolatrava. Alguns amigos realmente permaneceram, mas a maioria seguiu caminhos diferentes dos meus, e outros tantos também apareceram. Meus ídolos também mudaram, assim como o gosto pelas roupas e pelas músicas. Passei a ser mais seletiva. As noites em casa com um livro ou bom filme são, na maior parte das vezes, mais atraentes do que as baladas as quais insistia tanto para minha mãe me deixar ir.

Já não tenho preocupação com o opinião das pessoas a meu respeito. Aquela pose toda que era necessária para ser aceita nos grupos de amigos, no colégio e até mesmo para impressionar a família se torna uma traição a mim mesma hoje. Não me preocupa o julgamento de ninguém, valorizo as relações transparentes.

Não morri quando levei um fora. Não me envergonho da minha aparência e não se engane: as vezes ainda aparecem espinhas, só que agora também aparecem cabelos brancos e pneuzinhos que não estavam aqui antes.

Fico podre no dia seguinte quando exagero na bebida, na comida, no salto ou quando durmo menos de 8 horas. Mas não pense que na minha idade as coisas acabaram: escolho melhor os lugares, as companhias, as comidas e os vinhos! Tenho o rosto mais limpo quando saio de casa e o sorriso mais aberto. Aprecio mais os bons momentos porque sei que se estes 17 anos passaram voando também passarão os próximos.

A boa notícia é que a maior parte dos problemas que me faziam chorar noites inteiras aos 17 anos desapareceram. A má notícia é que outros tantos os substituíram e estes são mais sérios, mais graves, mais relevantes, porém aprendi que a maioria não vale uma noite em claro pois nenhum perdurará para sempre.

Eu não poderia contar tudo isso à garota tola que eu era com 17 anos. Ela não entenderia, talvez perdesse a coragem, com certeza perderia a noite em claro, mas se eu pudesse dizer apenas uma coisa aconselharia a ir em frente sem medo. Diria para deixar tantas expectativas de lado e aproveitar a realidade. Nem tudo, ou quase nada, saiu do jeito que ela queria, porém as coisas saíram muito melhores. Ela deixará de ser uma garota novinha com disposição para tudo, mas se tornará uma mulher com uma vida com mais conteúdo. E isso não é uma mentira!


Carolina Borba

Leitora desde que eu me conheço por gente, meu universo são os livros, as histórias que vivo sem sair do quarto, os personagens com personalidade tão diferentes que eu experimento, as vidas que eu, a cada página, pego emprestado! Também brinco no blog Culta Insensatez..
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