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Amor, livros, arte... Algumas coisas são melhores em grandes doses!

Carolina Borba

Leitora desde que eu me conheço por gente, meu universo são os livros, as histórias que vivo sem sair do quarto, os personagens com personalidade tão diferentes que eu experimento, as vidas que eu, a cada página, pego emprestado!
Também brinco no blog Culta Insensatez.

Sobre o amor que aprendi com meus pais

"Como a vida é maravilhosa enquanto vocês estão no mundo" (Elton John)


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Era uma vez dois jovens que se conheceram em uma cidadezinha do interior. Ele roqueiro dos anos 70, cara da cidade, cabelo comprido e calça justa. Ela a mulher mais velha de uma família de 13 irmãos, tímida, trabalhadora, ralava para ajudar no sustento da família. Ele viajante, ela visitando os pais antes de voltar para a cidade grande, para seu trabalho. Poderiam não ter nada em comum, poderiam ter simplesmente se separado. Não discutiam os mesmos assuntos, não frequentavam os mesmo lugares...

Mas o amor chega sem avisar. Não existem diferenças que impeçam o que tem que acontecer, o que o destino quis que ocorresse. Nem o fato dos pais dela tentarem impedir que eles se encontrassem quando voltassem para a cidade grande... E era grande! Quem diria que se encontrariam sem querer na rodoviária? Quem diria que nesse acaso trocariam seus contatos? Quem diria que se casariam após um namoro de 3 meses por telefone?

Teria sido o Fagner que tocava de fundo enquanto conversavam? Teria sido os solos da guitarra dele? Teria sido o jeito honesto e encantador dela?

Meus pais tiveram seus momentos de crise. E eu, como filha ressentida pela situação deles, não sabia até onde isso afetaria a felicidade de todos. Eu não estava lá enquanto ela cozinhava e ele tocava violão. Eu não estava lá quando ele ganhou a família dela com suas travessuras, eu não estava lá enquanto eles planejavam qual seria o futuro de ambos, futuro esse que me incluiria sem saber.

Mas eu estava lá naquela tarde de domingo, um domingo qualquer, em que eles mais uma vez relembraram tudo o que passaram. Eu estava lá quando os vi rir de suas histórias. E estava lá quando, ao som de Elton John, meu pai tirou minha mãe para dançar. E dançaram como se voltassem no tempo, como se, após tantos anos de casados, aqueles cabelos brancos não importassem mais, como se estivessem se enxergando na mesma juventude em que se conheceram. E eu estava lá quando percebi que era como se eu não estivesse, como se, mais uma vez, eles só tivessem um ao outro.

Entendi que havia entendido tudo errado. Não eram as dificuldades dos meus pais que deveriam prevalecer sobre o que eu testemunhei deles sobre o amor. Aquele momento tão delicado e cheio de felicidade representava a vitória. Uma vitória de tudo o que enfrentaram para conseguir chegar até aqui, de tudo o que venceram, de tudo o que batalharam com muito esforço para criar duas filhas, hoje adultas, e terem uma vida estável.

Eu percebi que nunca faltou amor. Ás vezes faltava entendimento. Às vezes faltava paciência. Eu entendi que eu sempre tive o melhor exemplo do que o amor pode superar bem ali na minha frente. Meus pais, pessoas as quais eu nunca olhei como um casal romântico, me deram o maior exemplo do que eu quero ter no meu futuro: alguém com quem eu possa dividir uma história, alguém para quem eu olhe e possa viajar no tempo, alguém que me faça reviver o melhor de nós, seja numa dança ou em qualquer ato, alguém que sempre me faça ter a sensação de que, por alguns segundos ou minutos, o tempo parou e não tem mais ninguém ali presente além de nós.

No futuro será essa a imagem que sempre terei de meus pais. Quando me perguntarem quem eles foram, e como eram, eu lembrarei da ternura dos dois dançando e da lição que aprendi sobre o amor, e com certeza responderei: eles foram felizes! O meu exemplo de felicidade!


Carolina Borba

Leitora desde que eu me conheço por gente, meu universo são os livros, as histórias que vivo sem sair do quarto, os personagens com personalidade tão diferentes que eu experimento, as vidas que eu, a cada página, pego emprestado! Também brinco no blog Culta Insensatez..
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