arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor.

2015: O ANO DO SEGUNDO A MAIS DE JUNHO

Uma crônica holística e sintética sobre 2015


2015wood.jpg Acima: 2015, o ano do casulo. É hora de voar.

O ano de aprender a sentir o universo como um coração pulsando faminto, de desdobrar o Todo na minha mente e na minha linguagem, da “transcendência na imanência”; O ano do início do segundo mandato da presidente Dilma e do segundo a mais de junho.

O ano de ir em busca de uma “existência autêntica” através do autoconhecimento e da alteridade visando o bem, a liberdade e a felicidade; o ano da razão, da virtude e da sabedoria; o ano de uma série de atentados terroristas ao jornal Charlie Hebdo em Paris em janeiro e de atentados reivindicados pelo Estado Islâmico em retaliação a ataques franceses na Síria em novembro, computando centenas de mortos e feridos; o ano da execução do brasileiro Marco Archer na Indonésia por tráfico de drogas, do sobrevoou da sonda da NASA Dawn ao planeta anão Ceres e dos 450 anos do Rio de Janeiro. Montagem criada Bloggif O ano de escrever na Obvious, do arcano amanteigado, do Sobral – o homem que não tinha preço, do deserto de névoas; o ano em que fui fulminado pelas costas num atentado do grupo terrorista al-Shabaab a uma universidade na cidade de Garissa, no Quênia; o ano em que tentamos fugir do tornado que atingiu Xanxerê (fomos os dois que morreram), o ano dos milhares de mortos pelo sismo de magnitude 7,8 na escala Richter entre o Nepal e Bangladesh, dos 50 anos da TV Globo, a “mãe” do Brasil, da prisão dos dirigentes da FIFA pelo FBI, da renúncia de Joseph Blatter e do fim do jogo.

O ano em que Helena ligou para Aquiles no dia do seu aniversário sob ameaça de perder seu caldo de pinto; o ano do labirinto das máscaras, de quebrar o tabu, das cinco lições sobre a vida e o direito do ministro Barroso, do Leviatã; o ano do calote grego, dos jogos Pan-Americanos de 2015 na cidade de Toronto, no Canadá, da descoberta do exoplaneta Kepler-452b a uma distância de 1400 anos luz da Terra; o ano da lua azul, do “panelaço”, do eclipse lunar total, da descoberta de água líquida no planeta Marte, do bombardeamento da Rússia contra o Estado islâmico, de Birdan, Mad Max e Spartacus.

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O ano dos refugiados desesperados fugindo da guerra e da morte e do menino morto na praia com a cara enterrada na areia. O ano em que perdemos os extraordinários: ator e diretor Antonio Abujamra, a lenda do Blues B.B. King, o matemático que inspirou o filme Uma mente brilhante Jonh Nash, o ex-baxista da Legião Urbana Renato Rocha, a atriz brasileira Marília Pêra... O ano de lembrar que morreremos e, por isso, convém viver, amar e ser feliz enquanto for possível, evoluir eticamente e descobrir que plenitude é moderação. O ano dos flocos de felicidade dos flashes dum futuro familiar.

O ano de descobrir que ter uma vida de qualidade é fazer aquilo que se gosta com quem se gosta e que “toda escolha implica perda” e do aviso crucial de Oliver Sacks: “Não há tempo para nada que não seja essencial”. O ano em que fizemos amor no avião que despencava no abismo da morte inescapável, o ano da lama louca e letal de Mariana, do acolhimento pela Câmara dos Deputados do Brasil do pedido de impeachment da presidente Dilma, da Fabíola e da hipocrisia (o que não se perdoa não é a traição, é o prazer.). Adeus 2015 (Nunca te amei.). Seja bem-vindo 2016. Surpreenda-me, se puder.


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor..
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