arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor.

MUSEU DA MEMÓRIA: 2014, O ANO DO URSO INSULAR E DA BAILARINA MEXICANA

Museu da memória é uma série em que pretendo republicar textos antigos outrora publicados no meu blog pessoal Esconderijo do Observador. Sua finalidade é dupla: preservação e transmissão da obra do seu autor. Assim, meu querido público leitor terá o profundo prazer de reler os texticulos do papai escritos e lidos com amor infinito.


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Para L.C.G.C.

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem.” Bíblia, Salmo 23

Direito Civil: Petição Inicial... Contestação... Procedimentos especiais... Apelação... Agravo... Cumprimento de Sentença... Embargos de Terceiro... Resolução de questões... Simulados... Dia do exame da OAB. Exame. Resultado: Aprovado! Nota: 9.4. Acabou!

2013_time100_yousafzai.jpg Malala: “Eu disse para mim mesmo: 'Malala, você deve ser corajosa. Você não deve ter medo de ninguém. Você só está tentando se educar. Você não está cometendo nenhum crime”, revelou à revista Glamour norte-americana

O ano do Nobel da paz da ativista paquistanesa Malala Yousafzai defensora dos direitos humanos femininos e que sobreviveu a um tiro na cabeça. O ano do primeiro vôo realizado pela NASA da nave espacial Orion, do sequestro de 16 horas em um café da Lindt de Sydney, na Austrália, que terminou com a morte do sequestrador e dois reféns e seis feridos, o ano do ataque do grupo terrorista Taleban que massacrou mais de 140 pessoas, a maioria crianças, o ano em que os EUA e Cuba retomaram suas relações após cinco décadas de ódio, o ano de Gabriel Medina, o primeiro brasileiro campeão de surf.

“Apenas o essencial faz a vida valer a pena e para mim basta o essencial.”

O ano do Cruzeiro, bi-campeão brasileiro! O ano da solidão selvagem e da saudade de sangue, do choro no escuro, da dúvida e da dor. O ano em que sofremos juntos, embora separados, da morte do poeta João de Barros e de Roberto Gómez Bolaños‎, criador do Chaves e do Chapolin (E agora, quem poderá me socorrer?) O ano da guerra política entre Aécio e Dilma custando a perda de milhões de amizades pelo facebook, o ano do extermínio de 43 estudantes universitários no México e dos protestos em todo país por JUSTIÇA, o ano do fim do Orkut, da epidemia de Ebola, do “The Fappening”, o hacker que vazou as fotos privadas de conteúdo erótico de diversas celebridades, sem amor.

“HULK ESMAGA!!!” (“Se você, porventura, estiver lendo esse post 50 anos no futuro saiba que doeu demoniacamente perder a Copa do Mundo em casa e ser esmagado como um verme pelos alemães. Pense na humilhação, 7 a 1. (Deus é brasileiro. O diabo é alemão.) Mas eis o que dizem os advogados: “Você sabe, quando você perde, você perde.”). Adiante!

O ano em que fomos fuzilados pela Alemanha na Copa do Mundo do Brasil. O ano do Templo de Salomão, do centenário da 1º Guerra Mundial, dos 50 anos do Golpe Militar de 1964, de sangrar os abutres de gelo. O ano em que um tigre arrancou meu braço e um míssil derrubou meu avião na fronteira entre o Absurdo e a Ucrânia, o ano do racismo e da resposta “Somos todos macacos”, o ano em que fui atingido por um rojão na cabeça e tive morte cerebral, o ano dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sóchi na Rússia. O ano da elevação até as estrelas de Rubem Alves, da epifania epistemológica. O ano sem fim.

Montagem criada Bloggif A vida me ensinou: “Memento mori” é uma expressão latina que significa algo como “Lembre-se de que você é mortal”, “lembre-se de que você vai morrer”, ou traduzido ao pé-da-letra, “lembre-se da morte”. E agora a pergunta que não quer calar desde seu nascimento: “Afinal, o que você quer da vida?”

O ano em que perdemos os notáveis: o ator americano Philip Seymour Hoffman, o ator brasileiro José Wilker, o escritor colombiano de “100 anos de solidão” Gabriel Garcia Marques, o locutor esportivo Luciano do Vale, o cantor Jair Rodrigues, o futebolista Fernandão, os escritores João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna, o inesquecível professor de poesia do filme Sociedade dos Poetas Mortos, Robin Williams, o político Eduardo Campos, o jurista Márcio Thomaz Bastos, o cantor inglês Joe Cocker, entre outros, mas a pior perda, indubitavelmente, para mim foi da minha avó Luzia. Réquiem.

O papai sempre ouvia esse gênio da música clássica contemporânea antes de dormir para restaurar minha energia psíquica durante minha solitária e sofrida preparação para a OAB. O papai recomenda aos que ainda estão na batalha ou irão batalhar, além dos outros clássicos como Beethoven, Bach, Mozart, inequívoco.

O ano de Aprender a Viver com o “pensamento alargado”, “a sabedoria do amor” e “a estética da existência”. O ano de ouvir Yann Tiersen e me apaixonar pela música clássica. O ano de rever os colegas de faculdade no San Diego e de passear com o Macário... O ano de descobrir o que quero da vida: minha família e minha felicidade. Tudo vem por ai: a advocacia, o amor e a alegria. Agora é preciso começar a construir!

“Você é tão linda para mim. Você não vê? Você é tudo que eu esperava Você é tudo que que preciso.” Joe Cocker (E lembre-se, como dizem os italianos: “O amor te proíbe de não amar.”)

O ano da luta pelo amor perdido, da lua de vinho e que saboreei o milagre do amor de Deus no Natal, flagrei o Papai-Noel na minha sala e ele disse que seremos felizes. Adeus, 2014. Que venham os Jogos Pan-Americanos de 2015. Feliz ano novo, amados!

“Pois venha o que vier, nunca será maior do que a minha alma!” Fernando Pessoa

Publicado originalmente aqui


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor..
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