arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor. E “tornar-me senhor de mim mesmo” é o meu grande objetivo em busca de uma vida que vale a pena ser vivida.

PARA MARIANA E PARIS

Um poema de Drummond para Mariana e um filme de Wood Allen para Paris, com amor, luto, revolta e esperança de renascer da lama, do sangue e das cinzas


Mariana13.jpg Acima: Mariana e Paris, tragédias diferentes, dores semelhantes

"Sabe do que eu tenho medo? Sabe do que estou cansando, querida? Do mal." Do extraordinário filme jurídico O poder e a lei

Segundo Beckett “Toda palavra é uma mácula no silencio e no nada.”. Então, o que eu poderia escrever sobre Mariana e Paris que já não foi escrito por ai? Que informações colher e apresentar para escandalizar? Que reflexões? Eu não tenho nada a dizer sobre isso. Estou triste e mau-humorado. Isso é tudo. Eu poderia olhar nos seus olhos e dizer que tudo ficará bem mentindo como uma mãe misericordiosa ou um político profissional? Você também se sente um estranho nesse mundo desumano? Ouve Shakespeare sussurrando: “O inferno está vazio e todos os demônios estão aqui.”? Oh, de fato, o inglês é inigualável. Quanto aos culpados só consigo me lembrar duma frase do Pink Floyd “Se eu pudesse mandaria fuzilar todos vocês.”. Mas já seria tarde demais. A vingança não é uma segunda derrota? Primeiro te violentam, depois te transformam no violentador. E perder quem se ama é devastador. Sim, estou cansando do mal, meu amor... Estou enlameado e ensangüentado na pele, na carne, nos ossos e na alma. Estou cheio de ódio pelos corruptos e pelos terroristas.

É preciso ser duro para fazer justiça.

mariana.jpg Abaixo: um dos poemas mais magníficos de todos os tempos, o docemente fantasmagórico Evocação Mariana. Da igreja resta apenas o poema. Que amargura, meu Deus!

PARA MARIANA, com poesia e metafísica

EVOCAÇÃO MARIANA

A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes./ Havia poucas flores. Eram flores de horta./ Sob a luz fraca, na sombra esculpida/ (quais as imagens e quais os fiéis?)/ ficávamos./

Do padre cansado o murmúrio de reza/ subia às tábuas do forro,/ batia no púlpito seco,/ entranhava-se na onda, minúscula e forte, de incenso,/ perdia-se./ Não, não se perdia.../ Desatava-se do coro a música deliciosa/ (que esperas ouvir à hora da morte, ou depois da morte, nas campinas do ar)/ e dessa música surgiam meninas – a alvura mesma –/ cantando./

De seu peso terrestre a nave libertada,/ como do tempo atroz imunes nossas almas,/ flutuávamos/ no canto matinal, sobre a treva do vale.

Por: Carlos Drummond de Andrade

PARA PARIS, com amor e humor

“Tememos a morte e questionamos nosso lugar no universo. A tarefa do artista não é sucumbir no desespero, mas achar solução para o vazio da existência.” Wood Allen, Meia-noite em Paris

“Nós sempre teremos Paris.” Casablanca

"A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las." Santo Agostinho


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor. E “tornar-me senhor de mim mesmo” é o meu grande objetivo em busca de uma vida que vale a pena ser vivida..
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