arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor.

AINDA SOBRE AS MULHERES

Segundo a grande escritora francesa Anaïs Nin: “Não vemos as coisas como elas são. As vemos como nós somos”. Sem contar o que não sabemos sobre o que somos. Sem contar o que não sabemos sobre o que os outros sentem em segredo, em silêncio no interior de seus corações sofridos e solitários.


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Jesus disse que a verdade nos liberta. O que significa a verdade? A verdade significa “o conhecimento da realidade.”. Então, a realidade é que não amadurecemos o suficiente para respeitar as mulheres como seres humanos autônomos, dotadas de dignidade, direitos e interesses pessoais que independem da vontade do homem. Se eu fosse mulher seria feminista. Eu mandaria uma mensagem ao mundo: ou me respeita ou fora daqui! Não tem diálogo com quem não tem respeito. Diálogo pressupõe idéias e argumentos que pressupõe conhecimento e compaixão. Se você não os possui, fique em silencio! Então, eu penso o seguinte: devo tratar todas as mulheres como se fossem minha mãe, minha esposa e minha filha, com respeito total, proteção e gentileza. Ou eu sou um mau-caráter. É simples assim, não existe zona cinzenta nesse contexto. É tudo ou nada. Ora, como sabemos, o respeito começa pelo auto-respeito. Exija-se sempre. Ou você prefere mesmo aprovação social à felicidade real no jogo das relações de poder?

As mulheres não são objetos para os homens. Aliás, eu li numa pesquisa americana que apenas 1/3 das mulheres chegam ao clímax em média nas relações sexuais. Ora, é um dado desolador, não é? Ou seja, a dificuldade de satisfação sexual feminina é real e fruto, muitas vezes, de uma repressão externa internalizada. Outro fato digno de nota é que segundo a mesma pesquisa, o ato sexual para a maioria das mulheres não se trata apenas de um evento meramente físico e sensorial em busca do prazer carnal, é, antes de tudo, um ato de amor, um ato afetivo e emocional que tem o objetivo de fortalecer o vínculo sentimental, um momento de intimidade que só vale a pena ser compartilhado com quem realmente se ama. Fazer amor com quem se ama é celebrar nosso sentimento. Fazer sexo forçado é se trair e prostituir tanto o corpo quanto o espírito e o coração. Agora imagina como viviam as mulheres até metade do século passado quando eram obrigadas a se submeterem a casamentos arranjados? Afinal, uma coisa é ficar com quem você ama, dividir a vida e a cama com o homem amado. Agora imagina você nascendo naquele contexto patriarcal e misógino que era o mundo até antes do fim da 2° Guerra Mundial e sendo forçada a ser a mulher de um homem que não ama, conviver com ele, cuidar da casa e fazer sexo sem amor? Imaginou? Tenho certeza que você jamais iria querer isso para ti ou para sua filha ou para sua irmã. Não é verdade?

Segundo a grande escritora francesa Anaïs Nin: “Não vemos as coisas como elas são. As vemos como nós somos”. Sem contar o que não sabemos sobre o que somos. Sem contar o que não sabemos sobre o que os outros sentem em segredo, em silêncio no interior de seus corações sofridos e solitários. Chega de crueldade e covardia. Já não tenho paciência para hipocrisia, mau-caráter, vistas grossas, omissões, opressão, vitimismo e subserviência. Você vive no Brasil? Então saiba que é um ser humano livre para fazer suas escolhas porque nesse país “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.” Art. 5°, inciso II da Constituição Federal. Escolha: viver como um ser humano livre e digno ou vegetar como uma escrava da sociedade sádica e sexista. Ter uma vida livre, digna e feliz só depende de você, mulher. Mude sua vida. Torne-se mulher. “Torna-te quem tu és.” Nietzsche. Liberte-se. Respeite-se. Exija o respeito de todos. Redescubra-se. Reinvente-se. Seja feliz como merece. Afinal, “A vida encolhe ou se expande à medida da nossa coragem” Anaïs Nin. Seja sempre você mesma: séria, sensível e solidária. Sua dignidade humana agradece.

“No dia que for possível à mulher amar-se em sua força e não em sua fraqueza; não para fugir de si mesma, mas para se encontrar; não para se renunciar, mas para se afirmar, nesse dia então o amor tornar-se-á para ela, como para o homem, fonte de vida e não perigo mortal.” Simone de Beauvoir, Todos os homens são mortais

"Não basta o compromisso Vale mais o coração

(...)

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher Sou minha mãe e minha filha, Minha irmã, minha menina Mas sou minha, só minha e não de quem quiser Sou Deus, tua Deusa, meu amor

(...)

O que fazes por sonhar É o mundo que virá pra ti e para mim Vamos descobrir o mundo juntos baby Quero aprender com o teu pequeno grande coração Meu amor, meu amor" Legião Urbana, 1° de julho


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor..
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