arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor.

DA DEMOCRACIA E OUTROS DOMÍNIOS

Nossa qualidade de vida eleva-se extraordinariamente a partir do momento em que passamos a viver nossa vida em conformidade com nossa consciência, princípios e vontade. O que nos impede senão nós mesmos?


liberdade13.jpg Acima: A Liberdade Guiando o Povo, de Delacroix (1830)

Recomendo a palestra abaixo para quem busca o conhecimento. Uma eloqüente aula sobre o valor da democracia, o respeito à diversidade e a ética da convivência humana. Segundo Karnal “A vida ética é a vida que vale a pena ser vivida.” Ética é respeito. A falta de ética, ou seja, a falta de respeito mina as relações. O elemento estrutural de um relacionamento é o respeito. Onde não há respeito não há ética e nem pode haver confiança. E sem confiança não há amor sustentável. Citando outro intelectual, para o médico Flávio Gikovate “Quanto menos interferência existir em nossa vida pessoal mais saudáveis serão nossas relações sociais, familiares, afetivas, etc..” Segundo ele o mundo é dividido entre personalidades egoístas e generosas e precisamos aprender a ser um pouco menos o que somos para sermos melhores. O egoísta deve fazer um esforço para ser menos egoísta e o generoso deve fazer um esforço para ser menos generoso a fim de que cheguemos a um ponto de equilíbrio que nos tornaria “justos”, ou seja, nem egoístas nem generosos em excesso. Esse é um pensamento profundo que nos inspira a amar com ética e respeito. Oxalá! Afinal, como dizia Karnal em outra ocasião “O lema da nossa dura existência deve ser esse: “Na minha vida quem manda sou eu.”. É justo.

Nossa qualidade de vida eleva-se extraordinariamente a partir do momento em que passamos a viver nossa vida em conformidade com nossa consciência, princípios e vontade. O que nos impede senão nós mesmos? É uma questão de sobrevivência, às vezes, exorcizarmos de uma vez por todas o fantasma da intervenção de terceiros em nossa vida pessoal e afetiva. Ninguém tem o direito de legislar em nosso Estado. Fato. Para convivermos em sociedade são indispensáveis alguns requisitos como respeito, caráter, ética, empatia e bom-senso. Quem se sente feliz quando estamos sofrendo?

Não podemos permitir que ocorra conosco nenhuma espécie de estupro emocional coletivo. Sem liberdade não existe felicidade e sem coragem não existe liberdade. É preciso superar o medo da responsabilidade que ser livre implica por si só. Afinal, a vida é um exercício de contínuo aprendizado, transformação e evolução. E você só tem uma vida para ser feliz. Faça suas próprias escolhas e escolha o que for melhor para você. É um direito seu e prova seu compromisso ético para consigo mesmo e sua vida. Ter um projeto de vida e lutar para realizá-lo é o segredo da liberdade e da felicidade.

Aliás, falando em felicidade, segundo Zygmunt Bauman a desgraça da felicidade no mundo líquido (nosso mundo contemporâneo) é que ela precisa ser chancelada pelos outros através de curtidas no facebook. Eu não sou feliz se todos não souberem que eu sou feliz. A felicidade é exibicionista, efêmera e escravizante. Essa felicidade se esfacela ao toque do primeiro auto-exame de consciência sincero, solitário e sábio. Será que eu sou realmente feliz ou apenas estou projetando uma imagem social falsa a fim de preencher minha necessidade infantil de me sentir bem o tempo todo? Ninguém se sente bem o tempo todo. A vida é uma montanha-russa emocional e contingencial. Para morrer basta está vivo, etc, etc, etc... O desejo de felicidade é importante, mas ser feliz em tempo integral é uma falácia impossível de preservar. Aliás, é uma ilusão vendida pelo mercado num sistema capitalista, etc, etc, etc... Assim, amadureça. Afinal:

“Existe apenas uma felicidade na vida: amar e ser amada.” George Sand, escritora francesa


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor..
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