arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor. E “tornar-me senhor de mim mesmo” é o meu grande objetivo em busca de uma vida que vale a pena ser vivida.

DIGA “NÃO” A PESTE DO PRECONCEITO

É mais ou menos assim que o preconceito age em nossas cabeças quando não possuímos filtro crítico: você não vê as pessoas como elas são, mas como disseram que elas são e, em geral, elas são mais parecidas com você do que você imagina, com as mesmas necessidades, sonhos e faculdades


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É imprescindível refletir sobre o preconceito, esse descalabro demoníaco. Segundo os estudiosos da matéria e da psicologia humana o principal motivo do preconceito é o medo que o diferente desperta. Contudo, há elementos mais escuros enrodilhados nessa equação. Há, inclusive, a pura e simples mediocridade além do autoritarismo e da visão fechada de mundo. Todavia em pleno século XXI depois da ascensão e hegemonia das Constituições e da vitória dos direitos humanos o preconceito não é mais tolerável. Já passou da hora de sermos éticos e respeitarmos as diferenças que enriquecem a espécie.

Na brilhante série Black Mirror (3° temporada, epsódio 5.) no futuro soldados são treinados para eliminar uma raça de humanos considerada inferior e vista por eles como deformada fisicamente e perigosa para a segurança dos humanos normais. Numa cena desse episódio o protagonista entra em combate com um desses humanos inferiores (chamado por eles de “baratas”) mata-o, mas é atingido por um laser que essa “barata” tinha nas mãos. Depois disso o soldado passa a ver as “baratas” como elas realmente são: humanos normais. Na verdade, ele tinha sido manipulado tecnologicamente pelo exército para ver as pessoas que o governo desejava matar como ameaças repulsivas. Uma “barata” pergunta para o protagonista depois do laser: “Você me vê como eu sou?”. Após descobrir a verdade o soldado fica indignado e diz para um de seus superiores “É tudo mentira. Eles são inocentes.” Mas ele já tinha matado seus iguais.

É mais ou menos assim que o preconceito age em nossas cabeças quando não possuímos filtro crítico: você não vê as pessoas como elas são, mas como disseram que elas são e, em geral, elas são mais parecidas com você do que você imagina, com as mesmas necessidades, sonhos e faculdades. Provavelmente assim como você elas estão enfrentando suas batalhas diárias contra o mundo e lutando para serem felizes como podem. Assim como você elas são humanas e cheias de medos e esperanças, dores e desejos, erros e acertos. Assim como você elas estão vivendo e um dia irão morrer. Respeite-as. É um dever legal, moral e social além de um imperativo de todas as religiões. Como diz o Cortella “Somos diferentes, não somos desiguais.”. Reconheça.

Segundo o filósofo francês Luc Ferry que me é muito caro, o sábio em todas as épocas foi aquele que se libertou de seus medos. Para isso serve o conhecimento, o pensamento e a sabedoria, para nos livrar de nossos medos irracionais e maximizar nossas potencialidades pessoais. Ele recomenda a prática da Sabedoria do amor: “Esperar um pouco menos, amar um pouco mais.” como sendo essencial para o amadurecimento das nossas relações interpessoais e afetivas. Eu penso que o tempo do medo (e por extensão do preconceito) já passou. Esse é o tempo do amor, do conhecimento e da felicidade que podemos desfrutar juntos. Afinal, o segredo da evolução da humanidade é a cooperação.

“Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é passageira, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes!”


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor. E “tornar-me senhor de mim mesmo” é o meu grande objetivo em busca de uma vida que vale a pena ser vivida..
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