arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor. E “tornar-me senhor de mim mesmo” é o meu grande objetivo em busca de uma vida que vale a pena ser vivida.

FELIZ ANIVERSÁRIO, ENVELHEÇO NA CIDADE

Agradecimento pelas felicitações recebidas em ocasião do meu aniversário (13 de junho, dia de Santo Antônio) temperado com algumas reflexões existenciais


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QUERIDOS AMIGOS,

Agradeço carinhosamente a todos que se lembraram do aniversário do velho, bom e doce Thiago. Como sempre vocês economizaram nos presentes. É a crise. Eu entendo. Estão perdoados. Bem, pensando bem, ano que vem por alguma razão mórbida qualquer talvez eu esteja morto e vocês carreguem para sempre essa culpa em seus corações. Mas eu duvido. Seja com for, vocês foram muito gentis e sou grato pelas felicitações. O papai já lhes contou a história do aniversário? Não? Então, senta que lá vem história, crianças.

Na antiguidade, o romano fazia uma oferenda ao seu próprio gênio, no dia do aniversário, dedicando a data ao “deus da natureza humana”, conforme o poeta Horácio chamava o espírito mentor de cada pessoa. Nosso costume do bolo de aniversário é descendente direto dessa oferenda. Acendemos velas para celebrar nossa existência e aquilo que a constitui e forma seu núcleo primordial: nossa essência.

Esse ano foi duro, mas como dizem “Grandes mudanças são antecedidas pelo caos.” Seja como for, eu amadureci muito do ponto de vista intelectual, moral e emocional nesse espaço de tempo que me foi concedido por Deus para “agir e fruir” como dizia Freud. Sinto-me mais sereno. Ás vezes, a gente leva mais tempo do que pretendíamos para colocar a cabeça no lugar, definir um projeto de vista e lutar para realizá-lo. Mas quando finalmente estamos prontos sentimos em nosso ser uma confiança renovadora. Queridos, nessa vida podemos ser o que quisermos e devemos escolher ser o melhor que pudemos. Podemos fazer o que quisermos e devemos escolher fazer aquilo que amamos e nos faz feliz. Podemos ficar com quem quisermos e devemos escolher ficar com quem faz nosso coração correr como um campeão olímpico.

Observo que admiramos mais o que não possuímos completamente. Alguns admiram o talento. Eu admiro a disciplina. Mas sempre podemos conquistar o que não possuímos e preservar essa conquista a fim de que não venhamos a perder aquilo que amamos por causa daquilo que não amamos, o que seria trágico. Em suma, estou mais velho, é verdade, mais também estou mais maduro, mais forte e mais saboroso como um bom vinho. E mais amável. Como dizia o Renato Russo “Aprendi a perdoar e a pedi perdão”.

Também chega um tempo na vida de um homem em que ele já viu relativamente tudo e agora pode selecionar o que é melhor aos seus olhos, aquilo que toca o mais primordial do seu ser. E a vida torna-se mais limpa, mais enxuta e mais palpável. Aperfeiçoei audaciosamente a fórmula do Freud para essa versão: “agir e amar.”. Amar no sentido mais profundo, ético e cristão. Amar e respeitar, amar e perdoar, amar e pacificar.

Somos todos humanos, mortais, falíveis, mais também somos corajosos, livres e perfectíveis. Podemos mudar, podemos superar a nós mesmos, podemos aprender a amar o próximo. Eu sei que é um desafio difícil, mas tudo que vale a pena tem um preço a se pagar. E devemos viver sob o signo do que admiramos. Todos temos problemas e feridas e sabemos no nosso íntimo o quanto nos pesa a vida e seus desdobramentos.

Precisamos resolver nossos problemas de cabeça erguida e de forma ética, ou seja, reconhecendo a verdade e aplicando a melhor ação disponível a situação em questão em busca de justiça. O mundo está saturado de guerras, conflitos, distúrbios e violências gratuitas. Chega.

Eu quero paz, amor e felicidade e é isso que desejo a todos que estejam lendo essas palavras. E como dizia Drummond “A paz existe naquela lata de conserva jogada do outro lado da rua e naquele casal que se beija do outro lado da cidade.”. Já é um bom começo. O resto virá com o tempo e sua construção contínua.

Como sempre, com amor

Thiago Castilho

Acima: o aniversário foi meu, mas o presente é seu. Uma das minhas palestras favoritas, uma verdadeira "lição de coisas". Simplesmente imperdível como o amor. Recomendo.


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor. E “tornar-me senhor de mim mesmo” é o meu grande objetivo em busca de uma vida que vale a pena ser vivida..
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