arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor.

O CONATUS DA CRIATIVIDADE

Segundo Albert Einstein “A criatividade é a inteligência se divertindo.” Nesse universo singular o pensamento mais sutil e significativo que eu conheço é do escritor americano Stephen Koch “Inventar é descobrir”.


a criatividade transformadora: expressão de uma força vital, com andré martins (versão completa) from cpfl cultura on Vimeo.

Recomendo a palestra acima sobre “A criatividade transformadora: expressão de uma força vital” que acabou de sair do forno do Café Filosófico. É um tema fascinante. O filósofo e psicanalista André Martins conceitua a criatividade como “Uma expressão de si, da própria potência” e afirma que ela se origina na mais tenra infância quando se dá a constituição primordial do psiquismo do bebê na interação com o mundo hostil ou não.

Segundo Albert Einstein “A criatividade é a inteligência se divertindo.” Nesse universo singular o pensamento mais sutil e significativo que eu conheço é do escritor americano Stephen Koch “Inventar é descobrir”. Seja como for, guardei na memória cinco idéias notáveis e inesquecíveis da palestra para mim. Vamos a elas numa supersíntese:

1- A dor como denúncia de uma vida infeliz, por assim dizer;

2- O fato de “nosso desenvolvimento se dá por crises.” E delas serem uma oportunidade vertical de repensarmos nosso modo de ser-viver; Todavia como dizia Platão “Não espere uma crise para saber o que é importante na sua vida.”

3- A existência das dicotomias tradicionais como dever/prazer, indivíduo/sociedade estarem a serviço da “docilização de corpos e mentes”, ou seja, pretendem inibir a criatividade e maximizar o controle em nome de uma suposta segurança. Assim, sempre que eu me submeto a vontade do mundo o faço por uma “auto-repressão” que é a internalização da autoridade externa por eu ainda não ter me emancipado, por me faltar uma “confiança interna”, por eu ainda não ter me tornado “senhor de mim mesmo” que talvez seja o grande objetivo da vida;

4- A vida social e a criatividade não são incompatíveis. Pelo contrário. A expressão da potência pessoal enriquece e inspira a coletividade. Quanto mais criativo eu for melhor para todos e para mim seja num plano político, econômico ou ecológico; Assim, a criatividade é uma generosidade doada a humanidade.

5- “A solução não está na angústia, mas no entusiasmo.” Visão de Spinoza

Enfim, vale a pena assistir. A vida é infinitamente criativa como a imaginação. Kant dizia “Ousa saber”, Shakespeare dizia “Ousa amar” e eu humildemente vos digo “Ousa criar”. Já que tudo que fazemos é uma forma de preenchermos o vazio de nossas vidas, saber, amar e criar talvez sejam as formas mais brilhantes, profundas e poderosas de ressignificar tudo. A criatividade é a poesia da vida, um exercício de autoconhecimento e uma maneira de aplacar nossa angústia atroz por ser quem somos, amar quem amamos e termos consciência de nossa fragilidade humana e mortalidade inescapável. Deliciem-se, queridos. Tenho certeza que sairão mais criativos depois de assisti-la. E lembrem-se:

“É uma grande liberdade ter um destino.” Clarice Lispector


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor..
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