arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor.

SOBRE AS TRANSFORMAÇÕES DO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Para Ferry, existem coisas superiores ao vício do hiperconsumo, das redes sociais e da ganância capitalista que representam o espírito de nosso tempo tecnológico. Para Ferry esse portento seria a “educação”. Educação é: o amor (a mensagem do Cristo), a lei e o saber (a ciência, a filosofia, a literatura, as grandes obras...)


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“Só o amor dá sentido as nossas vidas.” Luc Ferry

Num café filosófico realizado pela CPFL Especial fronteiras do pensamento no CPFL Cultura o filósofo francês Luc Ferry mediado pelo psicanalista brasileiro Jorge Forbes ministrou a palestra intitulada “As transformações do mundo contemporâneo.”.

Segundo Forbes traduzindo Ferry o mundo era dividido em bússolas. A primeira bússola era a bússola da natureza, “a bússola cósmica”, por ela todos tinham o seu lugar determinado pela natureza e pelo nascimento. Não haviam dúvidas. Apenas adequação. A segunda bússola é a bússola religiosa que determinava uma isonomia humana perante Deus que perdurou até o iluminismo, a partir daí imperou a bússola ou ética da razão até o século passado em que Nietzsche, Marx e Freud desconstruíram todas as bússolas. O que propõe Luc Ferry em seus livros? Um novo humanismo, a sacralização do humano. O que Luc Ferry chama de “A revolução do amor”, leia-se um amor sem intermediários.

Para Ferry no campo da política não existe mais espaço para uma liderança vertical. A política no Ocidente sempre foi animada por apenas duas idéias: a direita, a nação e a esquerda, a revolução. E ambas essas idéias tinham relação com o sagrado, algo pelo qual se pode morrer e dar sentido a vida. Hoje ninguém mais se sacrifica pela nação ou pela revolução. E o que veio no lugar das grandes causas? Aquilo que amamos. Ou seja, a grande causa humana atual é o ser humano além da emergência da proteção política do meio ambiente e do desafio de uma pacificação mundial para um futuro melhor.

Ferry destaca que entre as transformações do mundo contemporâneo a do amor é uma das mais notáveis. Para ele hoje em dia “As pessoas não tem mais nenhuma razão para estarem juntas que não seja o amor.”. A passagem do casamento imposto pela família para o casamento por amor só se deu depois da 2° Guerra Mundial, a partir dos anos 50. Para Ferry existem duas paixões democráticas detestáveis: o medo e a indignação. A indignação expõe nossa hipocrisia humana. O sentimento da indignação é um sentimento moral inautêntico porque a indignação é sempre em relação ao outro. Segundo ele podemos lamentar algo que fizemos e sentir remorso, mas jamais ficamos indignados conosco. Assim, a indignação não é a resposta, mas a ética e a justiça sim.

Segundo Ferry “A pior coisa que existe no mundo é o medo. O medo nos impede de ser inteligentes e generosos, livres de pensamento e abertos aos outros, capazes de pensar bem e amar bem.”. Existem três medos paralisantes: a timidez social, fobias subjetivas e o imemorial medo da morte que é mais profundo do que a mera extinção existencial. O medo da morte corresponde a tudo que no interior de nossas vidas está associado à dimensão do irreversível. O sábio é aquele que venceu os medos e atingiu a serenidade.

Para Ferry existem coisas superiores ao vício do hiperconsumo, das redes sociais e da ganância capitalista que representam o espírito de nosso tempo tecnológico. Para Ferry esse portento seria a “educação”. Educação é: o amor (a mensagem do Cristo), a lei e o saber (a ciência, a filosofia, a literatura, as grandes obras...). Para Ferry o amor é o mais importante, sua transmissão é vital para a transformação do mundo contemporâneo.


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor..
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