arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor.

TORNANDO-SE MULHER

Contudo, apesar da evolução histórica feminina até hoje as mulheres ainda são alvos de preconceito e discriminação social e sexual. Um homem pode quase tudo, uma mulher não pode quase nada. Eis a verdade unissex.


Dia-internacional-da-mulher.jpg “Ser mulher é algo difícil, já que consiste basicamente em lidar com homens.” Joseph Conrad

“O que é uma mulher? Eu lhes asseguro, eu não sei. Não acredito que vocês saibam. Não acredito que alguém possa saber até que ela tenha se expressado em todas as artes e profissões abertas à habilidade humana.” Virginia Woolf

Segundo Drummond “Os homens distinguem-se pelo que fazem, as mulheres pelo que levam os homens a fazer.” Essa afirmação é mais irônica do que machista e foi escrita há mais de cinqüenta anos. As mulheres mudaram. As mulheres lutaram. As mulheres venceram. Atualmente as mulheres distinguem-se pelo o que são e pelo o que fazem assim como os homens, seja no mercado de trabalho, na vida sócio-cultural ou no lar conjugal. Menina-mulher ou fêmea fatal, são simbolizadas pela deusa Vênus, deusa do amor e da beleza na mitologia romana e na visão bíblica da Criação pela famosa Eva.

Contudo, apesar da evolução histórica feminina até hoje as mulheres ainda são alvos de preconceito e discriminação social e sexual. Um homem pode quase tudo, uma mulher não pode quase nada. Eis a verdade unissex. Portanto, a luta pela “igualdade real” entre homens e mulheres deve continuar enquanto for necessária. Leis como a Maria da Penha ajudam a coibir a violência doméstica, mas não são suficientes. No Brasil a cada cinco minutos uma mulher é vítima de agressão e a cada duas horas uma mulher é morta. É indispensável que aja uma educação ética estatal em larga escala associada a políticas públicas de conscientização da condição, valorização e promoção feminina.

maxresdefault (2).jpg A violência doméstica de homens contra mulheres pode ser tanto física quanto psicológica com efeitos devastadores para a saúde e qualidade de vida feminina

Desde a conquista do sufrágio feminino em 1930 no Brasil e o reconhecimento internacional da igualdade entre homens e mulheres pela Carta das Nações Unidas em 1945, a luta pela liberdade feminina é cotidiana. Apesar da sensibilidade e sensualidade imanentes que possuem as mulheres não são objetos, são seres humanos dignas de respeito absoluto e proteção de todos por serem mais frágeis fisicamente que os homens e potencialmente estupráveis. É impossível não se sensibilizar com o sofrimento feminino, a opressão e o machismo que suportam desde sempre e é indispensável combatê-los, inclusive, é preciso repudiar também o “machismo feminino”. Muitas mulheres são machistas pensando que isso de alguma forma lhes trará algum benefício. Não trará. Isso é “lamber as botas que te pisam”. Você continuará sendo pisada e ainda terá que sentir o sabor da lama na língua. A revolução começa dentro de você, mulher. A luta pela emancipação feminina deve ser travada contra todos que não se libertaram.

A saber, o dia internacional da mulher tem origem em dois fatos históricos que se fundem para cristalizar sua celebração: o primeiro deles seria uma manifestação das operárias do setor têxtil nova-iorquino ocorrida em 8 de março de 1857 reivindicando melhores condições de trabalho. Resultado: 130 mulheres foram trancadas dentro do prédio da fábrica em que trabalhavam, o qual foi incendiado levando a morte de todas. O outro fato é o incêndio de uma fábrica, ocorrido na mesma data e na mesma cidade. A data crucial caiu no ostracismo, mas foi recuperada pelo movimento feminista de 1960.

simone_de_beauvoir_quando_se_respeita_a_ol.jpg Acima: Simone de Beauvoir, autora do visionário livro O segundo sexo, um símbolo do feminismo. Segundo ela “Não se nasce mulher, torna-se.”

Misteriosas, meigas e maliciosas, as mulheres na historia da literatura sempre foram descritas como seres extremos: demoníacas ou desprotegidas, capazes de ofertar um amor incondicional ou destruir os homens que ousaram amá-las. Quem se arriscaria a dizer que a precoce Lolita é vítima do desejo masculino ou a vilã de um homem apaixonado? Na filosofia, Simone de Beauvoir revolucionou e mitificou a idéia que as mulheres tinham de si mesmas. Depois dela não bastava mais nascer mulher, era preciso se tornar uma num processo perigoso e perpétuo. Traduzindo: torna-se mulher significa aprender a pensar e viver por si mesma, libertar-se das convenções sociais masculinizadas e lutar pelos seus direitos em busca de uma existência autêntica, bem-sucedida e feliz como todos os seres humanos têm direito. Mulher é esposa, mãe, filha, avó, irmã, tia, prima, profissional, chefe de família, amiga, inimiga, musa e espelho.

O filósofo francês Luc Ferry cunhou a expressão “Homem-Deus” que seria um retrato humanista do homem contemporâneo. Contudo, penso que a expressão seria melhor representada pelo substantivo “Mulher-Deus”, afinal, a filosofia surgiu na Grécia antiga para rivalizar com a maternidade. Como os homens não podiam conceber filhos, concebiam idéias. Em suma, toda mulher é um deus em potencial capaz de criar vida. As mulheres não são melhores nem piores do que os homens. São diferentes. Possuem os mesmos direitos e deveres jurídicos e são segundo Victor Hugo “o mais sublime dos ideais” e estão colocadas “onde começa o céu.”. É impossível não amar as mulheres.

Acima: o polêmico poema “Receita de mulher” de Vinícius de Morais

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), são direitos da mulher:

1. Direito à vida.

2. Direito à liberdade e à segurança pessoal.

3. Direito à igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação.

4. Direito à liberdade de pensamento.

5. Direito à informação e à educação.

6. Direito à privacidade.

7. Direito à saúde e à proteção desta.

8. Direito a construir relacionamento conjugal e a planejar a sua família.

9. Direito a decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los.

10. Direito aos benefícios do progresso científico.

11. Direito à liberdade de reunião e participação política

12. Direito a não ser submetida a torturas e maltrato.


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor..
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