arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor. E “tornar-me senhor de mim mesmo” é o meu grande objetivo em busca de uma vida que vale a pena ser vivida.

UMA NOTA SOBRE A POLÍTICA E A CORRUPÇÃO

Uma coisa é certa sobre o pêndulo do poder ou pêndulo da política: a celebração da democracia exige o contraditório, o protesto e o debate. Ora, não existe debate sem abertura ao diálogo para argumentação e contra-argumentação.


77ª EDIÇÃO DO CAFÉ FILOSÓFICO COM WILL GOYA - Goiânia, 13/03/2016. Tema: “DEBATE: É POSSÍVEL NA PRÁTICA SE FAZER POLÍTICA SEM NENHUMA CORRUPÇÃO?”

Domingo passado mais de três milhões de brasileiros foram às ruas para protestarem contra o governo da presidente Dilma. Segundo ela uma prova inequívoca de ingratidão. O Aécio Neves também não sentiu o coração do povo pulsando com paixão. Paciência. Aqui em casa adotaram um cachorro vira-lata e apelidaram-no de “Sujinho.”. Ele se parece com o Lula. Tem um olhar distante de poeta melancólico. Será uma coincidência que no mesmo mês em que o Lula decidiu assumir a casa civil tenha saído na Netflix a 4° temporada da magistral e assustadora série política americana House of Cards?

Num café filosófico realizado em goiana o filósofo clínico Will Goia lançou a seguinte questão: “É possível na prática se fazer política sem corrupção?” Vamos adiar nossa resposta a essa pergunta e tecer algumas reflexões sobre o processo político. Segundo Fournie “O que os partidos políticos dizem uns dos outros é, justamente, o que penso de todos eles.”. Assim, a bipolaridade política é melhor do que a uniformidade, embora não deixe de ser perigosa. Todo grupo político, sem exceção, dissemina a mesma ideologia: nós temos a razão, não somos corruptos e iremos defender seus direitos. Então, acreditar num “complexo ideológico” é uma coisa. Acreditar nos seres humanos que cultuam esse complexo ideológico e que se encarregariam de transplantá-lo da teoria idealista para a prática realista é outra coisa completamente distinta e imperdoavelmente ingênua. Afinal, sempre haverá uma maçã podre no cesto, corrupção e anomalias ético-políticas.

Então, ser autônomo, ou seja, ter pensamento crítico é aceitar os limites da realidade política humana. É ter consciência de sua responsabilidade na luta por igualdade, liberdade e estabilidade. É claro que essa visão crítica não pode gerar uma inação inútil. É preciso lutar contra tudo e contra todos que estiverem errados ou forem corruptos enquanto for necessário, ou seja, sempre. Ora, o pensamento crítico começa com o pensamento autocrítico. Se eu quero mudar o mundo tenho que mudar a mim mesmo primeiro. Se eu não aceito corrupção na esfera pública eu não posso ser corrupto na esfera privada. Se não aceito falta de ética, nepotismo, tráfico de influencia... não posso encená-los no meu universo particular. E se por caso constato que cometi um erro eu devo corrigi-lo e tentar me retratar. Ou isso ou eu sou hipócrita e soez. Não há arcano.

Duas coisas são fonte de intenso sofrimento: a ignorância e o medo. Por isso é preciso eliminá-los de nossa vida e substituí-los rapidamente pelo conhecimento e a coragem, qualidades incipientes em nossa identidade e história nacional. Reconheço que talvez tivesse sido melhor para o Brasil que o Aécio Neves tivesse se elegido presidente nas eleições de 2014. Contudo, não é sábio pensar no que poderia ter sido e acontecido, mas no que poderá ser e acontecer. A questão é: seria salutar para o país o impeachment da Dilma? Ou isso seria tratar apenas os sintomas e não atacar o epicentro da crise política?

Uma coisa é certa sobre o pêndulo do poder ou pêndulo da política: a celebração da democracia exige o contraditório, o protesto e o debate. Ora, não existe debate sem abertura ao diálogo para argumentação e contra-argumentação. Assim como na Constituição Federal existem “cláusulas pétreas”, ou seja, cláusulas intocáveis, que não podem ser alteradas (exemplo: A forma federativa de Estado; O voto direto, secreto, universal e periódico; A separação dos Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário; Os direitos e garantias individuais) no debate filosófico-político também existem cláusulas pétreas como a ética, a dignidade da pessoa humana, a igualdade e a liberdade sobre os quais não se negocia. Defende-se. Não sei se é possível fazer política na prática sem corrupção, mas é possível sentir em si que se fez a coisa certa, ter a consciência limpa e o coração curado. Afinal, como advertia Ken Kessen “A sanidade depende de um confronto frontal à injustiça e à exploração.”. E como disse o brilhante Will Goia:

“Maturidade seria elevando para mim mesmo o desafio de discordar, se necessário, até a medula e não me ofender com o direito de o outro pensar por si mesmo e aprendermos juntos. Essa maturidade ainda há de ser chamado de amor ao próximo. Amor a escuta. Se isso não parecer político o suficiente, não penso em outra coisa que vale a pena ser discutida, por isso, por essa compaixão diante da diferença, por essa humildade da capacidade de poder está errado, dá ao outro o direito de nos rever pelo espelho que não alcançamos sem essa alteridade é que estamos juntos e repetiremos esse encontro com o diálogo, a diversidade e o respeito elevado a capacidade generosa do amor e da gratidão.”


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor. E “tornar-me senhor de mim mesmo” é o meu grande objetivo em busca de uma vida que vale a pena ser vivida..
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