arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor.

EVOLUIR E MUDAR

Uma coisa é certa: quem não muda se ferra. Evoluir e mudar é sobretudo uma questão de autoconhecimento, força de vontade e fortalecimento da auto-estima.


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Segundo o Leandro Karnal “Mudar é difícil, não mudar é fatal.” Assim, vejamos...

O problema não é você ser egoísta. O problema é você não evoluir e mudar. O problema não é você ser covarde. O problema é você não evoluir e mudar. O problema não é você ser trouxa. O problema é você não evoluir e mudar. É preciso aceitar essa verdade violenta. É preciso escolher entre se tornar adulto e emancipado ou continuar mimado e manipulado. Por que algumas pessoas aceitam serem “objeto de abuso” de outras? Como podem renunciar a própria vontade para satisfazer o capricho dos abusadores? Como pode às vezes perder o que há de mais precioso para não serem criticadas? Agem assim por falta de personalidade? Necessidade de aprovação? Vaidade? Imaturidade?

Eu penso que quando somos egoístas, violamos o direito alheio e queremos submeter às pessoas ao nosso controle, isso é possível por um tempo e até um determinado ponto. Digamos que esse comportamento egoísta tenha gerado danos em pessoas queridas e sanções para você. Você foi flagrado e exposto. Todos sabem como você é e por isso você perdeu a admiração e a confiança das pessoas a quem você prejudicou por causa do seu egoísmo além de ser criticado por familiares e amigos por querer controlar a vida dos outros sendo indiferente a sua vontade verdadeira e felicidade real. Ora, se os danos que você causou e as sanções que sofreu não são suficientes para fazê-lo evoluir e mudar, o que será? É impressionante que ás vezes possamos destruir a felicidade de outro ser humano e nunca parar para pensar que não tínhamos o direito de fazer isso, que estamos errados, que deveríamos nos arrepender e nos retratar, se possível. Quem sabe um dia Deus ou a vida nos faça pagar pelo mal injusto que fizemos no passado?

O mesmo se pode dizer da covardia, da complacência, da omissão e da inércia. Se o selvagem sofrimento suportado pela falta de coragem e as perdas e danos que dela derivam não são suficientes para te motivarem a agir, o que será? O problema maior não é quando erramos, mas quando não aprendemos com os erros. O mais triste de tudo é quando temos todos os recursos e motivações para evoluir e mudar e não evoluímos e mudamos, não agimos, continuamos esperando pelo consentimento dos tiranos. A tragédia é quando colocamos em segundo plano o que é mais importante e causamos danos irreparáveis ou “danos de difícil reparação” a nós mesmos e aos nossos interesses, quando nossa obrigação era defendê-los de tudo que ameace sua realização plena. Como alguém pode ser tão fraco a ponto de por em risco seu futuro e sua felicidade? Reconhecer a tolerância excessiva segundo recomenda o Flávio pode ser salvador. Recomendo a política da tolerância zero para egoísmo, inveja, preconceito e maldade.

Uma coisa é certa: quem não muda se ferra. Evoluir e mudar é, sobretudo, uma questão de autocrítica, força de vontade e fortalecimento da auto-estima. Uma pessoa com auto-estima boa não tolera falta de respeito de ninguém em nenhuma circunstancia. E uma pessoa honesta e boa não desrespeita os direitos dos outros nem permanece insensível ao sofrimento alheio, principalmente de quem ama ou alega amar. Falar é fácil. É mais fácil as pessoas se unirem na dor do que na felicidade. Segundo o Flávio uma prova cabal de amor é quando não invejamos a felicidade de quem amamos. Respeitar quem não nos respeita não é sinal de superioridade, mas de inferioridade, não é educação, mas submissão. Não ensine essa obediência insalubre aos seus filhos. Seja livre e justo. Não tolere o egoísmo nos outros, a covardia em si mesmo nem o desrespeito geral. Evolua e mude. Tenho certeza que sua vida será infinitamente melhor do que é agora. Quem tem bom coração e boa vontade não deve temer o enfrentamento da existência. O que é insustentável e irrespirável é continuar vegetando como uma criança covarde.

E você, o que é, egoísta, covarde ou trouxa? Se você pensar bem, não precisa ser nem egoísta nem covarde nem trouxa. Você pode e deve tentar ser justo, corajoso e inteligente. Contudo, quem sou eu para julgar o motivo de certas ações e inações? Ás vezes, a solução de um problema aparentemente complexo é tão simples. Basta agir. As pessoas se esquecem que somos diferentes. Se você suporta abusos em silencio não significa que os outros suportarão. Se você perdoa tudo não significa que será perdoado. A defesa da sua dignidade é sagrada, principalmente quando se tem tudo para fazê-lo. De todos, talvez o pior seja ser o covarde. O egoísta às vezes nunca muda e não se importa. O trouxa muda quando não agüenta mais. Mais e o covarde? Até quando suportará o insuportável por medo de ser livre e responsável por si mesmo e sua vida? Não seja apenas o que Focault chamou de “corpo dócil e útil”. Não se deixe dominar pelo opressor. O fundamento da ação de qualquer um é a livre vontade do indivíduo.

Para evoluir e mudar é preciso pensar e agir. Sem ação não há esperança. Quando alguém que amamos precisa devemos perguntar “Como posso te ajudar?” Sêneca dizia que faz parte da cura o desejo de ser curado. Quando alguém se prova um caso perdido, seja egoísta, covarde ou trouxa, devemos deixá-lo ir e ir cuidar da nossa vida em paz. Ninguém que viole nossos direitos, ninguém que nos desrespeite, ninguém que não queira lutar ao nosso lado por um objetivo comum merece habitar nosso coração. E às vezes só precisamos de tempo para limpar nosso recipiente e recomeçar.

“Onde não há jardins, as flores nascem de um secreto investimento em formas improváveis.” Drummond, Campo de Flores


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor..
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