arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor.

FREUD E A FAMÍLIA

A criação ideal de uma criança é feita por um casal que se ama e se respeita. Tudo é uma questão de sensibilidade, sabedoria e bom senso. Afinal, quem colocaria a saúde mental dos próprios filhos em risco por uma relação fadada ao fracasso, sem amor?


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Segundo Harold Bloom “Freud é, antes de tudo, um poeta.” Ou seja, um grande artista da palavra. De fato, seu modo de verbalizar a observação da experiência humana é único e imortal. Abaixo: três trechos célebres da obra freudiana que servem de epígrafes para nossas vidas difíceis, mas passíveis de transformação e de redenção, se quisermos:

“As desavenças entre os pais ou seu casamento infeliz condicionam a mais grave predisposição para o desenvolvimento sexual perturbado ou o adoecimento neurótico dos filhos.” Freud, Três ensaios sobre a sexualidade*

“Um egoísmo forte constitui uma proteção contra o adoecer, mas, em última instância, precisamos amar para não adoecer, e estamos destinados a cair doentes se, em conseqüência da frustração, formos impedidos de amar.” Freud, Sobre o narcisismo: uma introdução

“O amar em si, na medida em que envolva anelo e privação, reduz a auto-estima, ao passo que ser amado, ser correspondido no amor, e possuir o objeto amado, eleva-a mais uma vez.” Freud, Ibidem

*Referente à primeira citação acima resta claro que o melhor que uma pessoa faz por si mesma e pelos seus filhos é não submetê-los as desavenças de um casamento infeliz. O fundamento de uma família é o amor e não as aparências. O ideal é que os pais se amem, mas quando isso não é possível é muito melhor para os filhos ter dois pais separados que se respeitam ou que não estão em permanente conflito do que ter um casal de pais que vivem num verdadeiro inferno doméstico porque não se amam ou são infelizes pela mera incompatibilidade de personalidades e contaminam inevitavelmente seus filhos com essa relação radioativa. (Quando há amor nada precisa ser forçado.)

A criação ideal de uma criança é feita por um casal que se ama e se respeita. Tudo é uma questão de sensibilidade, sabedoria e bom senso. Afinal, quem colocaria a saúde mental dos próprios filhos em risco por uma relação fadada ao fracasso, sem amor? Quem não deseja dar aos seus filhos uma família feliz? Quando uma pessoa insiste em manter uma relação radioativa por alegar amar o conjugue é sinal de que pensa apenas em si mesmo e não no bem-estar de seus filhos. Uma mudança de mentalidade levaria a uma mudança de postura por parte dos pais ou do conjugue obcecado e impenitente.

Nota final: Freud dissecou a alma humana como nenhum outro. Sua lição é clara: “Precisamos amar para não adoecer.” Agora prestem bastante atenção na imagem acima. Será que é isso que desejamos para nossos filhos, afilhados ou sobrinhos? Os filhos devem encontrar nos pais um modelo de amor, respeito, gentileza e integridade. É errado tentar dizer às pessoas o que fazer de suas vidas, pois elas não nos pertencem. E assim como nós escolhemos o nosso caminho elas têm o direito de escolher o delas. Todas as famílias deviam ser formadas com fundamento no amor recíproco e ético.

“Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda.” Freud


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor..
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