arcano do aleph

“Alho e safiras na lama...” T.S. Eliot, Quatro quartetos, 1943

Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor.

WAACK DO OUTRO LADO DO PARAÍSO

Minha opinião: o Waack se desculpou e voltou para casa odiando ainda mais os pretos, mas pelo menos ele pensará duas vezes antes de falar o que não deve. Ou seja, não importa o que o Waak sente, mas o que ele faz. Racismo é crime. Acabou.


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Semana passada um dos maiores jornalistas brasileiros, William Waack, foi acusado de racismo após dizer em forma de injúria “É coisa de preto.” Ele se desculpou, mas foi afastado da emissora na qual trabalha mesmo assim, a Rede Globo. Eu já o vi passar várias lições de moral a diversos personagens humanos em múltiplos contextos que vão desde a corrupção até mesmo, ironicamente, ao racismo. Eu sei... Na novela O outro lado do paraíso existe um casal apaixonado que foi separado por causa do racismo da mãe do rapaz. O casal (Bruno e Raquel, que nutre um amor verdadeiro e recíproco um pelo outro) está sofrendo até falar que chega por causa da intolerância de uma só pessoa. E casos semelhantes pululam na vida real. É claro, somos humanos e falíveis. Mas...

Quando somos inteligentes e somos flagrados cometendo um erro nos desculpamos como foi o caso do jornalista William Waack. É uma questão de ética e também a única forma de sobrevivermos às nossas “merdas”. O duro é quando nem sequer jogamos o jogo, ou seja, quando nos recusamos a nos retratar mesmo estando errados e sendo expostos. Existe algum motivo para alguém discriminar outrem baseado em sua cor? Assim, para cientificar os impenitentes (aqueles que insistem em cometer o mesmo erro), abaixo, eis a lei que combate o preconceito racial e étnico no Brasil. Espero que sua leitura possa causar uma salutar transformação nos corações e mentes que precisam.

Segundo o filósofo Schopenhauer “O homem pode, é certo, fazer o que quer, mas não pode querer o que quer”. Essa sentença sintetiza toda psicologia humana. Então, qual é a lição que podemos extrair da experiência do William Waack? “Erra quem é humano. Se desculpa quem tem juízo.”. Quanto às interferências externas e familiares na vida íntima das pessoas cito o filósofo político Michael J. Sandel de Harvard: “Cada um de nós tem o direito fundamental à liberdade – temos o direito de fazermos o que quisermos com aquilo que nos pertence, desde que respeitemos o direito dos outros de fazer o mesmo.” Do livro Justiça-o que é fazer a coisa certa. Recomendo a leitura do livro supracitado além da leitura atenta do art. 14 da lei referida abaixo. Uma coisa é certa: você não pode brincar de Nádia e ter Jesus no coração. “Repense sua atitude.”

Se uma situação difícil se prolonga no tempo não adianta doces discursos de conscientização. Precisamos usar a fórmula cristã para resolver essa situação. O que diz o cristianismo? “Não odeie o pecador. Odeie o pecado.” Ok. Vamos poupar o pecador do nosso ódio e redirecioná-lo ao pecado, ou seja, ao racismo. Não é justo? Então, precisamos exigir do pecador a extinção do seu pecado. Senão fica difícil fazer justiça nesse caso. Minha opinião: o Waack se desculpou e voltou para casa odiando ainda mais os pretos, mas pelo menos ele pensará duas vezes antes de falar o que não deve. Ou seja, não importa o que o Waak sente, mas o que ele faz. Racismo é crime. Acabou.

Então, fica a dica: trate todos com respeito, sempre. E exija respeito aos seus direitos. Quem está cuidando da própria vida não tem tempo nem para se meter na vida alheia nem para se deixar afetar pela crítica injusta de terceiros. Faça a sua parte. Amém.

Link da lei contra o racismo


Thiago Castilho

Advogado e escritor, um homem de leis e letras. Acredito que a arte pode “ensinar a viver”. Ensinar a viver significa ensinar a lutar pelos seus direitos e a amar melhor a si e a toda humanidade. Adquirir o conhecimento e transformá-lo em sabedoria de vida no palimpsesto do pensamento. Eis meu ideal intelectual que busca realizar a experiência do autoconhecimento, não sei até se do absoluto e talvez do Sublime aplacando assim minha angústia existencial, sem soteriologia, porque ao contrário de Heidegger não acho que somos seres-para-a-morte, mas seres-para-a-vida e seres-para-o-amor..
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