Goscinny


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Se fosse vivo faria hoje 78 anos.

Todos sabem quem foi René Goscinny, o criador de Astérix. Os mais informados ou especializados saberão também que foi o criador de Iznogoud, do menino Nicolau e de mais uns argumentos para histórias de banda desenhada.

Na verdade, se nos limitarmos a isso, Goscinny foi “apenas” o criador de uma miríade de histórias, heróis e séries de BD... Mas também desenhou – embora não gostasse muito – e escreveu livros e fez guiões para filmes e sei lá mais ou quê...

Quando Goscinny começou a trabalhar, nos anos ‘50, o que era a BD? Quase nada... Não era uma arte, nem sequer menor – ainda por cima era corruptora da juventude, uma vez que levava à estupidez e até à delinquência, dizia-se; os autores não assinavam as obras, eram pagos com desdém e mal vistos; nos jornais e revistas a direcção artística era frequentemente assegurada pela mulher do patrão (autêntico!) que escolhia os desenhos e os mostrava a uma secretária enquanto pintava as unhas e perguntava: “acha graça a isto?”

A BD desta época era composta quase exclusivamente de aventuras fantásticas vividas por heróis temerários que atravessavam mares cheios de piratas ou desertos escaldantes ou ainda lutavam contra terríveis malfeitores. Dos USA chegavam os super-heróis: Flash Gordon, Superman... Na Bélgica já havia o Tintin e o Spirou. (Na redacção deste último havia um senhor a tempo inteiro encarregue de vigiar a profundidade dos decotes e a altura das mini saias, bem como os palavrões – autêntico outra vez!)

Goscinny resolve então fazer alguma coisa pela BD. Juntamente com Charlier e Uderzo (quem conhece estes nomes?) e com o apoio de uma empresa de imprensa e publicidade lança a revista Pilote. Estávamos em 29 de Outubro de 1959 e os 300 000 exemplares do 1º número venderam-se todos.

A revista Pilote foi – agora já não o é, infelizmente – uma referência incontornável. Impermeáveis à moda e seguindo apenas os seus (bons) instintos, Goscinny e Charlier acolheram e promoveram a banda desenhada e os seus autores. Estes passaram a assinar as suas histórias em local bem visível e a soltar a sua criatividade. Por lá passaram Reiser, Fred, F’murr, Gotlib, Bretécher e tantos outros que hoje são clássicos. Na altura valeu-lhes muitas cartas de insultos. No fundo estavam apenas muito à frente da sua época...

Viva Goscinny!


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