
A propósito do post sobre os telhados, ouvi da boca de um arquitecto uma história muito interessante que aqui deixo:
"Um dia bateu-me à porta um cliente especial. Passo a explicar melhor os motivos porque o considero assim. O homem veio falar comigo porque queria uma vivenda, simples, para ele e para a mulher. Não tinha filhos. Deixava ao meu critério todo o desenvolvimento do projecto, pois não tinha nenhuma ideia formada quanto à imagem que pretendia. Eu que fosse trabalhando que logo se via, que lhe telefonasse quando estivesse pronto.
Decidido a aproveitar toda a liberdade de movimentos de que dispunha e apenas com base nas parcas indicações que me tinham sido fornecidas, dei o meu melhor. Desenhei então uma bela moradia, com um magnífico telhado de duas águas em telha de Marselha. A imagem ficou soberba; a articulação dos espaços excelente; a integração no local brilhante. Fiquei satisfeito com o resultado do meu trabalho e disse para mim próprio que aquela era uma casa onde não me importaria de viver.
Telefonei de imediato ao cliente que apareceu nesse mesmo dia. Mostrei-lhe o projecto, ansioso de ver a sua reacção. Ficaria satisfeito? Teria dúvidas? Deveria ter feito uma maqueta? Iria ele perceber os desenhos?
Percebeu-os perfeitamente... e fartou-se de praguejar! Mas toda sua ira recaía exclusivamente no telhado! Telhas, telhas e mais telhas. Nem um único terraço! Nem uma miserável superfície horizontal! Que tragédia!!!
Como é que eu podia adivinhar que o homem tinha a paixão pelas telecomunicações e que precisava desesperadamente de um enorme terraço para colocar as antenas???"
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