A era da informação


2004102700_getimage_salazar_thumbOntem li um artigo no Público acerca da tentativa de compra das nossas ex-colónias por parte do Estados Unidos. Imagino quantas mais histórias rocambolescas existam nas catacumbas dos bastidores políticos mundiais. Ao olhar para os comentários deixados a esta notícia, achei curiosa a contribuição da Elsa Condesso, que aqui transcrevo na integra:

Cada vez mais me convenço de que a famigerada "era da informação" está a transformar-se na era da descrença. Em que História (ou estória) podemos acreditar? Vendem-nos pseudoverdades em catadupa, elas sucedem-se por vezes a um ritmo de tal modo acelerado que, se nos ativermos sobre todas elas, mal temos tempo de reflectir na aparência de verdade que acabámos de comprar. Sim, porque o pior é que as compramos! Parece que agora Salazar começa a emergir como um homem de visão, um ditador "justo" - epíteto que ouvi o prof. José Hermano Saraiva atribuir-lhe recentemente, numa entrevista à Antena 2 - um homem que não se vendeu, nem vendeu o país, a agiotas e que, afinal, por muitos defeitos que tivesse, possuía uma qualidade que parece faltar cada vez mais aos governantes do "pátrio ninho amado": a capacidade de criar um projecto de país. Passível de contestação, naturalmente, como todos os projectos. Mas ao menos Salazar traçou uma rota, à semelhança do Infante D. Henrique, de Vasco da Gama e de Magalhães. Nesta era da descrença, resta-me perguntar: a quem serve esta aparência de verdade? Porque, afinal, toda a História que aprendi leva-me a concluir que a História é entretecida de estórias e que estas servem a "glória de mandar" e a "vã cobiça". Será que um dia, porventura, Hitler e Ceausescu surgirão aos nossos olhos como grandes humanistas? E Sadam Hussein e Bin Laden como grandes pacifistas? Talvez, aguardemos.

Independentemente das várias opiniões, mais ou menos emotivas, creio que dentro da conjuntura da ditadura que vivemos, onde o respeito pelas liberdades individuais e direitos foram sem dúvidas esquecidas, também houveram decisões e posturas que merecem algum louvor. Respondendo ao comentário da Elsa Condesso, a história compõe-se de factos que nem sempre são do conhecimento publico, e que uma vez revelados, podem permitir-nos um olhar diferente. Sempre que um facto, como este, por exemplo, vem à tona, vemos reboliços de indignação. Será que Sadam Hussein será visto como um grande pacifista? Parece-me exagerado mas, afinal, o que há a temer com as revelações? será que temos algum receio que os media nos tenham manipulado aquando optamos pela opinião inicial? Em concreto sobre o artigo, como um outro leitor refere, creio que este pretende fazer um resumo e algumas constatações, sem qualquer enquadramento da política Salazarista. Se poderíamos ser um fantástico País industrializado se não tivéssemos passado pelos anos da ditadura? Honestamente, não me parece! Falta-nos atitude!


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