“History will teach us nothing” II

Publicado em arquitectura por seven em 8 out 2004

Gregos e Romanos

athena_nike.jpgfortuna_virilis.jpg

Continuando a procurar na História épocas em que ocorreram idênticas situações podíamos recuar um pouco mais até ao mundo antigo e deter-nos sobre as arquitecturas grega e romana. Aparentemente são idênticas, sobretudo no vocabulário formal que utilizam – as ordens. Qual a diferença entre os objectos arquitectónicos (a expressão é ponderada) que produziram?

Os templos gregos são um paradigma da arquitectura plena, perfeita – o Pártenon como arquétipo dos arquétipos de que já se falou. O que são, afinal? São objectos arquitectónicos muito belos, colocados no topo das acrópoles, locais sagrados de acesso restrito e privilegiados para contemplação. Não são habitáveis pois no seu interior apenas possuem uma cela onde se aloja uma estátua do deus a que são consagrados; o culto era feito num altar exterior ao templo. Muitas celas são inclusivamente a céu aberto, caso dos templos hípteros.

Não são engenharia, pois que rejeitam técnicas construtivas mais evoluídas em nome de uma cristalização formal e também construtiva. Tão pouco necessitam de grandes conhecimentos técnicos para serem erguidos: o sistema de pórtico (colunas e arquitrave) é primitivo, pois não é mais que o aperfeiçoamento do princípio usado nos dólmens com... menires. Serão então arquitectura? Ou serão Escultura? Serão Arte, ao menos?

Já a arquitectura romana pode ser considerada engenharia pura, pois recorria sistematicamente a técnicas construtivas sofisticadas e materiais novos: arcos, abóbadas, cúpulas, tijolo, betão, etc. E torna-se algo irónico que, achando as suas estruturas feias, as tenham recoberto com uma pele ornamental de... ordens. Engenharia recoberta de Arquitectura?!?

No entanto, os romanos estavam imbuídos uma atitude profundamente artística, vanguardista mesmo! As suas obras arquitectónicas destinavam-se às pessoas, a serem utilizadas para “fazer o povo contente” (Júlio César dixit) e, por isso, se faziam bem no coração das cidades e não no cocuruto de um monte. E os espaços maravilhosos que criaram, sublinho, criaram, não só se adaptaram perfeitamente ao fim a que se destinaram como suportaram as mais diversas alterações de uso e, inclusivamente, induziram novas vivências. As basílicas, por exemplo, espaços civis seculares, transfiguraram-se no templo cristão...

Esta preocupação social e política é a verdadeira alma dos romanos e a chave da sua grandeza. Neste aspecto não posso concordar com os gregos que diziam que “são uns decadentes” (vide “Astérix nos Jogos Olímpicos”). Há algo de mais nobre do que a atitude de Trajano que, após a sua vitória sobre os Dácios e a presa do fabuloso tesouro do seu rei Decébalo, ter mandado edificar o maior, mais sumptuoso e mais belo Fórum de Roma – para sua glória sim, mas para glória e usufruto de Roma também?!?

Arquitectura? Engenharia? São apenas jogos de palavras. Prefiro engenheiros romanos do que arquitectos gregos...

artigos relacionados

nenhum comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.

deixe o seu comentário

Comentário

 

Preencha o formulário ao lado.

O E-Mail é obrigatório. Não será mostrado no site ou cedido a terceiros.

As imagens estão ligadas ao Gravatar

Seja cordial e educado. Comentários ofensivos ou pouco dignos serão apagados.

Partilhe este artigo com os seus amigos

Share