Art Déco I


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O nome genérico de Art Déco tem sido usado de um modo não muito rigoroso. Concretamente, designa uma estética facilmente identificável, associada à arquitectura e ao design, que nos remete para uma época difusa. Indubitavelmente está ligada ao american way of life...

Mas na verdade esta designação foi atribuída a posteriori em referência à Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais ocorrida em Paris em 1925, onde se apresentou o que de melhor então se produzia no domínio dos objectos utilitários domésticos. Este foi, inicialmente, um estilo meramente decorativo destinado exclusivamente às artes aplicadas, também chamadas "artes da casa" e por isso a classe média, sua principal consumidora, o acolheu tão bem.

A chave do seu sucesso residiu na utilização de elementos tradicionais "condimentados" com ingredientes modernos – uma mistura de Arte Nova e arte primitiva (africana, egípcia, sul-americana) com o vocabulário da vanguarda das artes plásticas. Por este motivo, denotou uma expressão muito heterogénea, requintada, exótica e ecléctica, que ia da funcionalidade pura ao ornamento puro, da depuração ao exagero...

Por fim, a estética modernista acabou por triunfar sobre o pesado decorativismo através da tendência acentuada para a abstracção, patente na geometrização e estilização das formas e na predominância de ângulos e arestas vivas.

Foi também característico deste estilo o recurso sistemático à tecnologia, que procurou valorizar esteticamente através da combinação sofisticada de tradição e inovação, ao nível de técnicas e materiais. Esta combinação verificou-se exemplarmente nas áreas onde as artes aplicadas mais se distinguiram: no mobiliário (madeira de ébano, palma e nogueira, incrustações de madrepérola, marfim, tartaruga, prata, ouro, lacagem); no vidro (pasta de vidro, moldagem, gravação, esmaltagem); no metal (ferro forjado, bronze, cobre, alumínio, aço, aplicações de vidro, madeira e pedra, cromagem) e na joalharia (platina, ónix, plástico, lápis-lazúli, ágata, coral, baquelite, jade, engastes, esmaltes). Nesta última área o Art Déco revelou-se particularmente criativo – botões, boquilhas, cigarreiras, caixas e blocos de apontamentos foram literalmente inventados!

Conforme a natureza dos ofícios e a qualidade dos mestres, encontraram-se lado a lado no Art Déco objectos para produção em série e obras únicas. Na verdade, os grandes mestres das artes aplicadas – Ruhlmann e Dunand no mobiliário, Lalique no vidro, Brandt e Puiforcat no metal, Cartier na joalharia – situaram-se entre os maiores artistas da sua época.

Há coisas magníficas no Art Déco... hoje deixo aqui alguns biombos. Os dois primeiros de Jean Dunand;

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os outros de Eileen Gray.

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Por fim um grande obrigado à Cris por me ter lembrado isto. Não gostaria de viver outra vez na(s) época(s) do Art Déco mas de certeza que não me importava de viver rodeado de objectos desse estilo...


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