Os Homens do SAPO



in Publico:

O dia era de finados e esperar-se-ia algum silêncio. Mas às portas do cemitério do Alto de S. João, ontem, até os mortos se devem ter inquietado. As buzinadelas e a algazarra era mais que muita e o movimento também. "Olha a lamparina", anunciavam alto e bom som diversas mulheres, algumas delas vendedoras de improviso, que tinham previamente passado pelas lojas chinesas para se abastecer de velas, que ali apregoavam a um euro - apenas mais 25 cêntimos que na loja. O comércio era de ocasião. E se eram bastantes as lojas abertas e as bancas de floristas montadas junto ao parque de estacionamento, em frente ao cemitério, também havia quem aproveitasse para vender uns ramitos, de aspecto mais triste e desfolhado, que mais pareciam ter vindo do enterro anterior. Mas porque nem só de dor, cera e flores se faz actualmente o dia de finados, entre as muitas bancas montadas na Parada do Alto de S. João havia ontem inovação: o sapo adsl para acsesso à internet, que, nas suas caixas verdes, era vendido à porta do cemitério. Até parece que na banda larga já é possível o contacto com o além.

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