Estalinegrado


2005021604 Estalinegrad Beevor

Para muitos a batalha de Estalinegrado simboliza o ponto de viragem da II Guerra Mundial. É conhecida a importância desta batalha para a história do século XX: Os alemães não mais recuperaram e as suas defesas enfraquecidas facilitaram a invasão das forças aliadas em 1944. Pouco se sabe, porém, do que de facto aconteceu em Estalinegrado. Depois de avançar sobre o território Soviético, na operação que ficou conhecida por Barbarossa, as forças de Hitler detêm-se a alguns quilómetros de Moscovo e avançam para o maior erro da estratégia nazi: Estalinegrado. Pela primeira vez, os arquivos do KGB da ex-União Soviética abriram-se ao exterior. Antony Beevor foi dos primeiros a consulta-los e a documentar a batalhe decisiva para a queda do III Reich, onde as tropas alemãs rapidamente passaram de triunfantes a vencidas.

Esta é a história da batalha que foi marcada pela sua brutalidade e pelo desrespeito por baixas civis em ambos os lados. O total das baixas está estimada em 2 milhões, nas quais as forças do Eixo perderam um quarto do total dos seus homens na Frente de Este, e os Soviéticos, mais de um milhão de soldados e de civis durante a batalha.

A narrativa de Anthony Beevor é extremamente completa, chocante e excitante. Desde as falhas de decisão na cadeia de alto comando, até aos momentos passados pelos soldados individuais que eram esmagados uns contra os outros, Beevor retratou a luta por Estalinegrado em toda a sua plenitude caótica, sangrenta e de horror sem cair na vulgaridade ou incorrecção de um romance. Em muitos pontos da história percebemos o quanto tudo poderia ter mudado se um pequeno detalhe tivesse sido diferente, tornando a narrativa muito envolvente e interessante de seguir. Estalinegrado é uma espantosa obra histórica sobre a maior batalha da segunda grande guerra. Uma história relatada de uma forma intensa, brutal e verdadeira.

[...] quando contemplamos as ambições de Hitler nesta fase da segunda guerra mundial, sempre demasiado optimistas e compulsivas, tornou-se óbvio que nunca leu, ou não entendeu o conto de Leão Tolstoi de 1886 intitulado "De quanta terra precisa um homem". Nesse conto um rico camponês chamado Pahom ouve falar das boas terras do país dos Bashkins, para lá do Volga. São pessoas simples e ele irá conseguir obter deles toda a terra que desejar sem qualquer espécie de problemas. Quando Pahom chega ao país dos Bashkins, estes dizem-lhe que, por mil rublos, poderá ter toda a terra a que conseguir dar a volta ao longo de um dia. Pahom fica exultante e despreza-os pela sua falta de sofisticação. Está convencido de que conseguirá cobrir uma grande distância. Contudo, logo depois da partida, começa e deparar-se com áreas interessantes que decide incluir, um lago aqui, ou uma faixa de terra especialmente apropriada para cultivar linho. Depois, de repente, repara que o Sol já está a descer. Apercebendo-se que corre o risco de perder tudo, corre cada vez mais depressa para conseguir chegar a tempo. "fui demasiado ambicioso", diz para si mesmo, "e arruinei todo o negócio". O esforço mata-o. Morre junto ao poste de chegada e foi aí que o enterraram. "Um metro e oitenta, da cabeça aos pés, era toda a terra de que necessitava", foi a conclusao de tolstoi. Menos de sessenta anos mais tarde, só havia uma diferença em relação àquela história: As estepes Russas não engoliram apenas um, mas sim centenas de milhares de homens que agiam por procuração [...]


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