Álvaro Siza Vieira
Hesitei muito antes de escrever isto. Convenhamos que não é fácil escrever sobre a pessoa em questão e legitimamente me perguntarão que autoridade tenho eu para escrever sobre arquitectura quanto mais sobre Siza Vieira! Pois é... Não pretendo vir aqui fazer a apologia do Mestre – ele não precisa – nem defender ou atacar a sua obra em bloco – oscila entre o bom e o mau, necessariamente. Mas, numa altura em que se dizem tantos disparates sobre o homem e a obra, algumas vindas dos seus pares (aqui, por exemplo), gostava de dizer o que penso e que é afinal tão obvious...
E porquê falar dele a propósito de linguagem arquitectónica? Porque essa tem sido precisamente a sua grande preocupação de sempre e um dos traços distintivos da grande maioria dos grandes arquitectos seus contemporâneos. E é talvez esse domínio genial da linguagem que o torna grande entre os grandes.
Quase todos os grandes arquitectos da geração de Siza ou de gerações próximas se notabilizaram pela imagem que caracteriza a sua arquitectura. São inconfundíveis as obras de um Aldo Rossi, um Tadao Ando ou um Mário Botta, colhendo alguns exemplos ao acaso. Estes arquitectos, uma vez alcançado um estilo formal eficaz instalam-se nele literalmente, repetindo a receita ad nauseam em todos os projectos independentemente das situações. Fá-lo-ão por convicção, por marketing ou por mera optimização do trabalho dos seus gabinetes – não interessa para o caso.
Com Siza nunca se passou isso. Sempre procurou escolher uma linguagem adequada a cada situação embora trabalhe com uma contenção de meios expressivos notável! É ouvi-lo falar sobre a intervenção na Ribeira-Barredo dizendo que “o mais difícil foi encontrar uma linguagem”; ou sobre o banco de Vila do Conde a propósito da oportunidade que um equipamento como aquele representava para “criar uma linguagem e uma escala para o local”; ou ainda a proferir esta afirmação magnífica a respeito do Centro Galego de Arte Contemporânea que é a de que “a arquitectura possui a possibilidade da expressão ou do apagamento consoante a situação”... (citei tudo de cor).
E a obra confirma-o. Senão repare-se na espantosa diversidade da sua arquitectura pelo mundo fora que consegue, com uma enorme coerência estilística, ser tão fortemente integrada formal e semanticamente no local... As suas obras têm um rosto e a prova disso são os nomes com que as “baptizam”: Tolan (banco de Vila do Conde); ponto e vírgula (habitações em Haia); bairro árabe (urbanização da Malagueira); etc.





Siza, um expressionista? E porque não?
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