Há certos tipos de edifícios que marcam as nossas cidades. A mim fazem-me espécie aqueles que se pretendem impor pela sua imagem dominadora, seja pelo seu tamanho, forma ou linguagem. Hoje em dia essa imagem é procurada deliberadamente pelo poder económico ao erigir o seu património arquitectónico: os centros comerciais, os bancos, em forma de torres e outros edifícios megalómanos...
Dantes esta arquitectura servia o poder político e era conotada geralmente com os regimes totalitários – quem não conhece os projectos de Speer? Cá por casa tivemos uma versão à nossa medida, a arquitectura do Estado Novo, que floresceu nas Estações de Correios, nos Tribunais, nos Liceus Nacionais, nas Escolas Primárias e demais edifícios públicos.
Vejo este tipo de arquitectura nacional como um reflexo de um modo de pensar característico infelizmente ainda muito enraizado entre nós: o pensar pequeno. Assim, quando o Estado quis fazer escolas encomendou um projecto único ao arquitecto Rogério de Azevedo (as Escolas dos Centenários). Pôde desta forma controlar a sua imagem de aldeia-mais-bonita-de-Portugal e construi-la do Minho ao Algarve indiscriminadamente. Imaginem só o dinheiro que se gastaria com projectos individuais adaptados a cada local...
Esta prática ainda era usual pouco depois do 25 de Abril graças à inércia própria da máquina estadual. Podemos ver magníficos blocos como este aqui em baixo por esse país fora, projecto único e, já agora para quem o conhece, muito mau!

Enfim... mas volvidos 30 anos sobre a revolução dos cravos verifica-se que está por fazer a revolução das mentalidades. O Estado, que seria suposto ter um papel exemplar nesta matéria, é o promotor de um projecto de execrável qualidade a todos os níveis! As novas escolas primárias que têm vindo a ser construídas desde há poucos anos a esta parte consolidam a prática retrógrada do projecto único associada à imposição de uma imagem cultural reaccionária, desinformada e desinteressante. O telhadinho, a moldurinha de pedra nas janelas, o frontãozinho mal assumido, a segurança da simetriazinha... um horror! Think small. Soft portuguese is back!

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