Arte abstracta, não-objectiva, não-figurativa, absoluta, concreta...


...ou Porque gosto da não-figuração.

Quem nos costuma visitar tem notado certamente a frequência com que aparecem imagens de pinturas abstractas na categoria Artes e Letras. Não é por acaso, como calculam: é porque gosto. Não sou particularmente apreciador das figurações imitativas, assim como não me entusiasmam por aí além os grandes virtuosos da técnica. Estes casos têm numerosos admiradores, eu sei. A grande maioria dos mortais fica embasbacada perante uma obra hiperrealista ou perante uma daquelas "loucuras" de Salvador Dali ou M. C. Escher. Mas não confundamos as coisas.

A verdade é que a técnica deve ser apreciada como técnica e e Arte como Arte. Há muito quem confunda e troque as duas. A técnica quando é dominante impede a arte de ser apreciada: esconde-a. E quanta arte pode existir em obras de técnica pobre ou inexistente... Não é, portanto, por ser bem desenhada ou pintada que uma obra se torna Arte, embora também o possa ser. Isto é a primeira questão.

A segunda é a imitação - da Realidade, entenda-se. Mas que Realidade? Não há uma mesma realidade para todos nós, ou há? E porque carga d'água o "artista" nos há-de impôr a sua? Porque é que ao olharmos para um quadro temos que colocar sempre a sacramental pergunta: "O que é que isto significa?" E quando não entendemos (?) dizemos invariavelmente: "Eu de arte não percebo nada mas está bem (ou mal) pintado". Porque se tenta explicar um quadro em termos verbais se a pintura - tal como a música - é uma linguagem não-verbal?

Os preconceitos deixam-se no vestiário quando se olha para uma obra de arte. Afinal a arte está nas obras mas também na cabeça de quem olha para elas...

Não há nada mais belo do que um quadro misterioso, ainda que figurativo. Lembro-me sempre do Mistério e melancolia de uma rua de Chirico, da Encantadora de Serpentes de Rousseau ou da Tempestade de Giorgione. A sua beleza advém, quanto a mim, do facto de... não terem explicação!

Somos dominados pela tirania das imagens. Elas limitam, queira-se ou não, a nossa imaginação e, como tal, obrigam-nos a olhar para elas pelo prisma do seu significado sem que as apreciemos esteticamente. A nossa Civilização é visual e simbólica...

Então suprimam-se as imagens figurativas! Deixe-se a imaginação individual vogar a todo o pano! Empatia, Sonho, Liberdade virão ao de cima então. Deixemos as emoções dominarem-nos, como na música. A música não se "entende", pois não? Venham então os Informalismos, Abstraccionismos, Tachismos e todos os -ismos não figurativos!


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