Arzach


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Em 1976 Jean Giraud, sob o pseudónimo de Moebius, revolucionou a banda desenhada com uma obra misteriosa. Chamou-lhe Arzach. Na altura achei muito estranhos os fragmentos que vi da história e não me interessei por mais. Talvez ainda não tivesse maturidade para os entender. Mais tarde, muito mais tarde, comprei o livro e então compreendi aquela obra surpreendentemente bela e profunda.

É o próprio Giraud quem explica no prefácio do livro:

Quando “Arzach" foi publicado, o impacto público foi surpreendente. As suas páginas provocaram o efeito de uma bomba, de uma pequena revolução no universo da banda desenhada. O facto de não existir texto em qualquer das páginas foi o primeiro elemento de surpresa.

Por outro lado, a história não obedecia, pelo menos no que diz respeito ao domínio da banda desenhada – na literatura contemporânea este tipo de deambulação nada tem de excepcional - a nenhum dos esquemas narrativos clássicos.

Finalmente, no plano gráfico, não tendo poupado esforços, consagrei a cada imagem uma quantidade de trabalho e energia apenas comparável à que geralmente se reserva a uma tela ou a uma ilustração.

“Arzach" representou para mim uma espécie de passagem à acção, um mergulho em universos estranhos, para além do visível. Não era minha intenção, contudo, produzir apenas mais uma historia de contornos bizarros, mas principalmente revelar algo de cariz muito pessoal, algo que provém do plano sensorial. Pretendia exprimir o nível mais profundo da consciência, atingir o limiar do inconsciente. Esta história está pois repleta de elementos oníricos. Quando nos aplicamos num trabalho deste tipo, as comportas do espírito franqueiam-se repentinamente, deixando fluir as formas, as imagens, os arquétipos que temos dentro de nós.


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