
Lendo mais um dos interessantes artigos de Daniel Carrapa, intitulado As árvores e a floresta dei comigo a reflectir sobre o urbanismo que temos. Infelizmente, talvez tenhamos os espaços urbanos mais anódinos e desinteressantes da Europa – e já nem falo do território em geral.
Pessoalmente choca-me um bocado que o urbanismo seja todo igual por todo o país com as mesmas soluções de sempre – a forma dos bairros, o desenho das ruas, o tipo das casas... Tanto faz estarmos no litoral algarvio como no nordeste transmontano, que por sua vez é igual a estar numa cidade estrangeira qualquer. Quando se trata de zonas históricas a regra altera-se um pouco por razões evidentes mas, em contrapartida, nas zonas eufemisticamente ditas de expansão o urbanismo chapa-três impõe-se ainda com mais força. Não há um urbanismo distintivo de que se possa dizer: “aquele é o urbanismo de Aveiro e aquele é o de Évora”.
Vários protagonistas têm riscado sucessivamente as nossas cidades ao longo dos anos: engenheiros, arquitectos, paisagistas, urbanistas, etc. Não vejo que esta evolução nos tenha trazido melhor ambiente urbano, quando muito alguns bocados de cidades que são, ainda, excepções.
Possivelmente a pedra de toque não estará na qualificação dos técnicos (ou artistas) mas sim nas políticas porque é a este nível que se decide e que, portanto, se faz urbanismo. E a nossa classe política há muitos anos que tem primado pela incultura na matéria e pela ausência de ideias consistentes sobre a cidade, começando pelo poder local. É uma fatalidade e, ao mesmo tempo, espelho do que somos. Os PDM’s devem ser a coisa mais atropelada neste país. Pobre país...
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.