Big Google



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Em recente post o meu amigo BJr falou do novíssimo serviço do Google: o Google Earth. A primeira reacção é de deslumbre com a capacidade tecnológica exibida e com as possibilidades disponibilizadas on line, fabulosas, de facto, pois é todo o mundo ao alcance de um clique... Avassalador!

Mas num segundo tempo isto dá que pensar, sobretudo quando vemos a nossa casa nas imagens com a barraca no fundo do quintal, as árvores, a varanda, a casota do cão... e sabemos que qualquer pessoa o pode fazer. Mais: alguém tirou a fotografia lá de cima e, nessa altura, podíamos até estar a apanhar banhos de sol no terraço, todos nus! Mas nós até já sabíamos isso e até já tinhamos visto imagens dessas, não é? Onde está o problema, então?

O problema quanto a mim talvez esteja no facto de toda esta informação estar reunida numa única entidade, o Google. Mas esta não é uma entidade qualquer. É enorme, omnipresente, impessoal, distante e difusa. Se a quiséssemos atacar não saberíamos onde fazê-lo nem como.

Estarei a exagerar? Talvez. Mas hoje são as informações geográficas e outro tipo de informações que já lá moram sem nos termos apercebido disso: são as pesquisas que fazemos, os mails que recebemos, etc. Amanhã serão outras mais, também elas "cedidas" subrepticiamente. Pelo que já demonstraram, neste momento e nos anos mais próximos somente o Google tem a capacidade tecnológica para processar toda a esta informação. E ainda nos irão surpreender mais. A fábula orwelliana do Big Brother irá assim cumprir-se de forma inesperada?

seven

Co-fundador e ex-colaborador do obvious, actualmente retirado, foi responsável durante bastante tempo pela definição da linha editorial. Concebeu e coordenou a transição do blog para o formato de magazine.
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