Moderno / Pós-Moderno



 Arte Modernismo Warhol Rauschenberg

Li há dias no Ego Confession (uma das nossas leituras habituais) uma polémica curiosa sobre a inovação ou a repetição de formas do passado na Arte. Esta questão foi um dos cavalos de batalha quer do Modernismo quer do Pós-Modernismo, ambos radicais nas suas posturas.

A ideia de inovar emergiu com o pensamento moderno. Com ele o próprio conceito de Tempo como processo cíclico de repetição dá lugar ao conceito linear de evolução. Outra ideia chave que lhe está associada é a do paralelismo entre a Arte e Sociedade. A conjugação destas duas ideias justifica a inovação uma vez que a História não se repete. Passada a euforia modernista passou-se a contar outra vez com a História, embora do mesmo modo que alguém que vê um copo de água depois de uma semana no deserto...

Pessoalmente dou uma no cravo e outra na ferradura. A Modernidade deixou-nos marcas indeléveis que são já nosso património, um bom património diga-se. Inovar é essencial, a História também nos ensina isso. O que me incomoda no Pós-Modernismo em termos globais não é a (re)utilização de materiais do passado: é a maneira como é feita. E incomoda-me particularmente que se olhe para as formas passadas apenas como formas, como se bastasse ir ao catálogo da História e escolher. É comum ver a apropriação dessas formas justificada com argumentos puramente formais e esquecendo que essas formas têm a sua história.

Quando Warhol ou Rauschenberg fazem as suas assemblages de imagens variadas ou repetitivas não estão a fazer meros jogos formais. Sabem bem as razões porque o fazem e conhecem bem a "história" de cada uma delas. Podem parecer obras menores a que nos repugne chamar "arte" mas são na verdade iminentemente artísticas, pelas razões e não pelas formas. E são, paradoxalmente, inovadoras. Num certo sentido Warhol e os artistas Pop fizeram o casamento Moderno / Pós Moderno: deram-nos a Arte Contemporânea.

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Co-fundador e ex-colaborador do obvious, actualmente retirado, foi responsável durante bastante tempo pela definição da linha editorial. Concebeu e coordenou a transição do blog para o formato de magazine.
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