Pancada e água a jarro #1


Confessemos que nada nos faz rir tanto como uma boa zaragata, desde que não façamos parte dela, é obvious... :) Há no ser humano um secreto prazer na violência; há mesmo quem ache hilariante na condição de não ser mortal.

No cinema fizeram-se algumas cenas de pancadaria memoráveis mas mesmo os melhores actores têm os seus limites. O cinema de animação ultrapassa alegremente estas dificuldades. Não há nada mais salutar do que ver aquelas cenas de violência extrema do tipo bigorna na cabeça protagonizadas pelo inefável Bugs Bunny! Chaplin dizia: "como é que podemos competir com eles se nem sequer precisam de parar para respirar?" E é tudo muito rápido a 24 fotogramas por segundo...

Na BD também não existem quaisquer limitações para além da capacidade imaginativa e expressiva dos seus autores mas é tudo mais lento. Este facto permite-nos saborear lutas terríveis polvilhadas de golpes fulminantes que provocam ginasticadas contorsões e esgares particularmente expressivos nos contendores que, não obstante, sobrevivem miraculosamente. Os efeitos devastadores de tais golpes são tanto mais mirabolantes quanto mais "abonecadas" são as personagens. Seleccionei algumas:

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Robin da Mata e os seus alegres companheiros passam o tempo a guerrear o pobre xerife de Nottingham. Alguns momentos são dilacerantes, a lembrar Akira Kurosawa no seu melhor...

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Não podia faltar aqui Astérix. Embora sejam famosas as cenas de pancadaria em conjunto ocorridas na aldeia gaulesa - onde há zaragata cada vez que se fala em peixe... - escolhi dois episódios individuais. No primeiro é Obélix que "trava" um gladiador impetuoso com uma potente marretada (repare-se no pormenor da mão do infeliz); no segundo Astérix desfere um valente tabefe num escravo demasiado convencido do seu ar escultural... que logo desaparece.

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Gotlib é o campeão da expressão. A primeira vinheta representa a etapa inicial de um combate de rara violência pela posse de um chupa-chupa que rapidamente degenera numa guerra fraticida; na segunda um pacato cidadão é agredido por um malfeitor. Os punhos, reparem nos punhos...


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