Engenharia pombalina

Publicado em arquitectura por seven em 1 nov 2005 | 5 comentários

O título é provocador, eu sei: quando nos referimos à baixa de Lisboa costumamos dizer arquitectura pombalina... No entanto a verdade é que todo o seu projecto, das ruas às casas, foi obra de engenheiros. Isto não acontece por acaso. Por esta época a engenharia militar tinha uma tradição consistente em Portugal que lhe vinha já desde os tempos da dinastia Filipina e da Restauração ao passo que a arquitectura nacional andava pelas ruas da amargura, sendo comum chamar arquitectos estrangeiros para as obras mais significativas.

A história da reconstrução de Lisboa é uma história da pragmatismo e de inteligência começando logo pelas estratégias. Em cima da mesa havia três hipóteses básicas: reconstruir com algumas melhorias; arrasar e fazer tudo de novo sem limitações; fazer uma nova capital junto a Belém. D. Sebastião José escolheu a segunda hipótese e nomeou o engenheiro-mor do reino, Manuel da Maia, para a pôr em prática. Este escolheu para seus colaboradores o capitão Eugénio dos Santos e o tenente-coronel Carlos Mardel, ambos engenheiros militares.

Ao contrário do que se pode pensar o projecto não era inovador. Tratou-se de uma mistura bem doseada de vários elementos que tinha como objectivo a economia, a rapidez e a resistência aos sismos. A estrutura adoptada para as novas construções baseou-se na dos edifícios que menos danos sofreram aquando do terramoto: aqueles com uma estrutura em madeira embebida nas paredes, também conhecida como gaiola. Inicialmente previstas para terem apenas dois pisos, as novas construções foram subindo à medida que as recordações do terramoto se tornavam distantes.

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Não posso deixar de pensar que se há 250 anos atrás D. Sebastião José tivesse entregue o projecto da baixa lisboeta a um arquitecto teríamos hoje uma bela composição rocócó possivelmente, uma espécie de Palácio de Queluz em tamanho gigante, e não aquele bocado de cidade de referência que sempre foi e é a baixa pombalina...

Aqui fica um link interessante para quem quer saber mais sobre estas questões técnicas.

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5 comentários

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Angelico és lindo.... Contnua assim

Sofia Almeida em 1 de novembro de 2005

Ainda bem que gostaste do Porco, seven. Para tua informação é um blog colectivo, portanto é natural que encontres lá coisas de que gostas e outras que parecem feitas por alter-egos. Para quem lê deve ser uma coisa meio esquizofrénica até porque somos um grupo de malta muito diferente entre nós (e ainda bem, por mim nunca gostei de rebanhos :)).
Sobre teu/vosso blog encontrei-o por acaso no weblog - estava uma posição á nossa frente no ranking e eu quis ver como era. A minha primeria impressão, seinceramente, foi «uau, isto é bom dde mais para ler e ir embora». Guardei-o no meus favoritos pessoais - que não os do Porco - e regularmente vou passando e lendo com agrado o que escrevem. É muito giro porque praticamente todos os vossos interesses são os meus e por isso, aqui me têm como cliente ( e vai haver mais na malta do Porco, certamente).
Numb

Numb em 1 de novembro de 2005

Em relação ao comentário ENGENHARIA POMBALIMA. As casas da Baixa Pombalina podem ter sido desenhadas por engenheiros mas mesmo assim não deixam de ser arquitectura. Existe muito o habito de confundir arquitectura e engenharia. Para quem ainda não descobriu, são duas coisas muito diferentes. São complementares mas com objectivos muito diferentes. Arquitectura não é as paredes nem os tectos, não é colunas nem vigas. Arquitectura é espaço, é tempo, é poesia, é acontecimento, é descoberta... Arquitectura é vida. Desenhar uma casa, ou outro edifício qualquer, é desenhar um projecto de vida.

Anonimo em 10 de novembro de 2005

Boas.
Devo corrigir o seguinte:

1. Sebastião José (Marquês de Pombal) era primeiro ministro do Rei D. José, portanto nunca "D. Sebastiao José"

2. Eugénio dos Santos e Carvalho, era arquitecto e também capitão de engenharia...logo não é unicamente engenheiro...

3. O plano de reconstrução de Eugénio dos Santos (o numero 5) foi corrigido e alterado, após a morte de Eugénio dos Santos pelo Arquitecto Carlos Mardel...

O único que tem o titulo exclusivo de engenheiro é Manuel da Maia, que cordenou toda a reconstrução da cidade pós-terramoto - Engenheiro-mor do reino, mestre de campo Manuel da Maia.

Abraços

Kandinsky em 18 de dezembro de 2005

devo acrescentar que a equipa era um pouco mais "composta" do que a que foi dita..para que se saiba:
Manuel da Maia (coordenador), Eugénio dos Santos, Elias Sebastião Poppe, António Carlos Andreias e Carlos Mardel. apenas o primeiro era somente engenheiro militar, todos os outros era também arquitectos. aliás só poderia ser assim...

a propósito do seu comentário:
"se há 250 anos atrás D. Sebastião José tivesse entregue o projecto da baixa lisboeta a um arquitecto teríamos hoje uma bela composição rocócó possivelmente, uma espécie de Palácio de Queluz em tamanho gigante, e não aquele bocado de cidade de referência que sempre foi e é a baixa pombalina..."

bom..acerca do "D. Sebastião José" o Kandinsky já explicou que não é verdade...em relação ao "rococó" deixe-me explicar-lhe que...antes do Neoclássico houve o Barroco...e depois dele, houve uma tentativa de voltar ao Barroco novamente, através das ideologias de Dª Maria II que eu despedir o Marquês de Pombal, quis voltar às ideologias do avô..
mais..foram utilizadas como referencias (entre outras) as cidades de Londres e Torin..e claro que só conhecedores de arte e arquitectura é que poderiam aplicar tais conhecimentos..
alem disso resta sublinhar que tal acontecimento só aconteceu em Portugal devido a dois factores: o facto de Sebastião José de Carvalho e Melo ter estado durante muitos anos em Londres e ter assistido, então, aos novos pensamentos burgueses patentes da época e claro, ao terramoto de 1755 que se revelou uma grandiosa oportunidade para por esses conhecimentos em pratica.

mondrian em 1 de julho de 2007

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