Natal anormal


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Quando era novo gostava muito desta época do ano. Acho que até acreditava no Pai Natal. Pelo menos escrevia-lhe cartas a a dizer que me tinha portado bem e a pedir-lhe brinquedos. No destinatário punha invariavelmente: Pai Natal - Pólo Norte (era lá que ele morava...) e pedia ao meu pai que as pusesse no correio. Depois cresci e, naturalmente, essa magia perdeu-se.

Mas desde há uns anos a esta parte a época do Natal tem vindo a tornar-se-me cada vez mais desagradável. É uma segunda silly season a rivalizar com o mês de Agosto... As pessoas ficam paranóicas e metamorfoseiam-se em consumidores selvagens e pirosos; decoram as varandas e sebes dos jardins com luzinhas multicolores compradas nos chineses; penduram pais natais trepadores nos telhados e chaminés; compram montes de coisas inúteis para dar a pessoas de quem nunca se lembraram no resto do ano; as ruas ficam congestionadas de tantos automóveis; os hipermercados (sempre com uma música de fundo natalina) tornam-se inacessíveis a quem pretende ir fazer apenas as suas compras habituais; as redes telefónicas entram em colapso com tantas chamadas a desejar boas festas; abusa-se estupidamente das comidas e das bebidas; na TV os programas são execráveis (desde o Natal dos Hospitais até às galas internacionais que juntam o Eminem ao Placido Domingo a cantar o "White Christmas"); a "operação Natal" da GNR entra em acção e fica a saber-se que mesmo assim houve mais não-sei-quantos mortos do que no ano passado...

Depois tudo passa. Janeiro chega e iniciamos mais um ano igual ao anterior apesar de todos os votos e promessas que fizemos no dia 31. A mesma vida de sempre, tantas vezes tacanha, à espera do próximo Natal ou, pelo menos, do mês de Agosto. Não, decididamente isto não é Natal...


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