A Year in the Merde


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Se há assuntos que mexem comigo, este é um deles. O excessivo chauvinismo Francês sempre me fez uma forte comichão. Obviamente todas as culturas têm aspectos que as tornam vulneráveis e susceptíveis a críticas.. alias, esse é o conceito que distingue as diversas sociedades do nosso tempo; padrões de comportamento, crenças, instituições e outros valores morais e materiais que as moldam e distinguem. No entanto, no caso dos Franceses, vou ceder à injustiça e exagero e regalar-me com as situações hilariantes. Basicamente, ao longo das páginas encontramos a descrição de uma série de situações passadas pelo próprio autor, que para evitar embaraços e questões legais, são traduzidos na história do herói, Paul West, um Britânico de 27 anos que foi trabalhar em Paris, para uma companhia que desejava abrir uma série de salões de chá nessa cidade.

O livro é tremendamente bem disposto, com algumas frases verdadeiramente notáveis. Sabe bem, por vezes, ler algo assim.

Algumas personagens que dão cor a esta saga são:

Jean-Marie - O patrão, na casa dos 50 com uns olhos a brilharem de juventude cabelo curto, todo penteado para trás. Camisas chiques de tons fortes, gravatas a condizer, e um gosto apurado por mulheres.

Christine - A secretária. Morena, alta, um sorriso de lábios escuros, com um leve perfume de canela que teria derretido qualquer homem dentro de suas calças a 20 passos. Cheirava a algo comestível.... alias, mulheres bonitas com a tendência a cheirar a coisas comestíveis (morangos, por exemplo) são, por norma, o fim! 

A equipa de projecto é também composta por personagens verdadeiramente apelativas:

Bernard - Responsável da Comunicação. Alto como uma cegonha, corte de cabelo achatado e um bigode louro muito bem cortadinho. Parecia-se com uma polícia sueco que se tivesse reformado precocemente por ter joanetes. Poderia ter a palavra CHATO tatuada a toda a largura da testa, mas isso teria feito com que ele fosse demasiado excitante.

Marc - Magrinho, careca, camisa por engomar. Aparentemente tinha passado algum tempo nos Estados Unidos. Estava  "ah frrent de ai ti" (IT) com um sotaque que fazia com que parecesse a Scarlett O'Hara depois de uns valentes copázios.

Stéphanie - A loura com queixada, com uma gramática inglesa verdadeiramente tenebrosa era a "responsa bell daz akiseções". Estava agora "muihtô félis" por ter sido "nom ada responsa bell daz akiseções" para o projecto de "salõees angleses de chá". Era obviamente tão extenuante para ela falar como ser ouvida. No fim de cada discurso monossilábico, lançava sempre um olhar ao patrão, Jean-Marie, como se dissesse: "já fiz as minhas cinquenta flexões, e espero que tenhas achado que valeu apena, seu canalha sádico".

Nicolole - Voz suave, cabelo escuro curto, falava muito claramente. Directora Financeira. De cada vez que fala, recebe no final rasgados elogios profissionais do patrão. A medida que estes jorram, começa a mexer-se na cadeira como quem tem uma vontade louca de rasgar a blusa e de lhe saltar para cima alí mesmo.

Marc, Bernard e Stéphanie formavam a perfeita equipa inútil tornando os planos e o rigor Britânico um verdadeiro pesadelo. As situações cómicas que daí advém, são tremendamente divertidas, como se podera constatar ao longo do livro.


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