Bond girls



Não quero parecer redundante a falar sobre um tema mais que batido mas, já que falei sobre os Bond cars, acho que devo ao menos deixar aqui uma palavrinha sobre as Bond girls. As mulheres-objecto que dão brilho aos filmes da série são parte essencial do seu êxito, afinal. Além disso, são um indicador muito razoável dos padrões estéticos da época de cada filme: a moda, o ideal de beleza e mesmo outros aspectos mais subtis...

A beleza destas mulheres é mais ou menos tida como inquestionável. Algumas posaram até para a Playboy... Por isso se torna difícil fazer uma selecção por este critério mas a relatividade desse conceito é precisamente uma das questões interessantes que a série revela. Escolhi seis Bond girls, as que considero mais significativas, não necessariamente as mais bonitas ou interessantes pelos padrões actuais. De qualquer modo quem as quiser ver todas pode encontrá-las aqui ou aqui. Está lá tudo...

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Uma das mais antigas é Ursula Andress que aparece no primeiro filme da saga, Doctor No. O rosto da actriz é bastante melancólico e os seus traços são cheios, especialmente a boca. Ursula não é magra: é forte, um pouco atlética até; não é gorda - longe disso! - mas não se adivinham os músculos debaixo da sua pele; tem um peito generoso a condizer com os soutiens reforçados e arrebitados da época; o cabelo é longo e o ar frágil de quem parece estar sempre prestes a desmaiar. Junte-se um vestido justo em shintz garrido, travado no joelho, um casaco curto de malha ou talvez não e um penteado volumoso - eis o arquétipo feminino dos anos '60!

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Nos anos '70 coube a Roger Moore desempenhar o papel do herói e foi com ele que contracenaram várias actrizes que corporizaram a estética hippie da época. Jane Seymour apareceu em Live and let die e a louríssima Britt Ekland em The man with the golden gun, de 1973 e 1974, respectivamente. Ambas são bastante magras de rosto e corpo, cabelos muito compridos e lisos e têm um ar angelical. Tecidos com padrões floridos multicolores, adereços exóticos, jóias, vestidos compridos, golas em bico, calças à boca de sino e sapatos de tacão alto fazem o resto (a moda desta época arrepia-me)...

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Na década seguinte o exotismo desaparece para dar lugar a uma sofisticação quase barroca. É a época dos Duran Duran - lembram-se? - que assinaram a banda sonora de A view to a kill (1985). A companheira de Bond é a actriz Tanya Roberts que cumpre bastante bem o papel de mulher ideal: rosto cheio e muito maquilhado, penteados sofisticados. De resto o olhar dela é a sofisticação em pessoa...

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A belíssima Izabella Scorupco que contracena com Pierce Brosnam em Goldeneye, de 1995, tem um ar atrevido e independente, típico do arquétipo da "mulher moderna" que ainda hoje vigora. Sente-se tão à vontade num vestido de noite Versace como dentro de umas jardineiras velhas. Poderosa e irresistível...

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Recentemente o "politicamente correcto" (conceito um tanto ou quanto nebuloso...) chegou também à saga 007. No último filme, Die another day, de 2002, a bond girl de serviço é uma jovem negra, a elegantíssima Halle Berry. Um toque étnico só pode ficar bem à série... Muito fitness, muitas saladas, muitas proteínas, cabelo curto, corpo musculado e roupa de marca são as características de Jinx, nick de Giacinta, - um nome muito "étnico" - a personagem que encarna.

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Para terminar duas figuras de excepção, na minha perspectiva: Barbara Bach, dona do par de olhos mais mortífero de toda a série; e Miriam d'Abo, a brilhante violoncelista de The living daylights, na presença da qual o pobre Timothy Dalton se apaga completamente apesar de ser o personagem principal...

seven

Co-fundador e ex-colaborador do obvious, actualmente retirado, foi responsável durante bastante tempo pela definição da linha editorial. Concebeu e coordenou a transição do blog para o formato de magazine.
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