"Mein name ist Bond, James Bond"



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Deve haver na história do cinema poucas séries com o êxito da de James Bond. Iniciada em 1962 parece encontrar-se longe do seu fim, já que se anuncia para breve um novo título com um novo actor no papel do agente secreto criado por Ian Fleming. O segredo do seu sucesso consiste num cocktail de acção, tecnologia e romance que se renova em cada filme de acordo com as necessidades e as modas. Este facto torna a saga cinematográfica de 007 um retrato extraordinário dos últimos 50 anos da nossa Sociedade, um verdadeiro tratado de Antropologia!

As modas, as referências culturais, os mitos, os clichés, a tecnologia - tudo surge ainda que subliminarmente nos filmes de James Bond. Alguns ícones são especialmente cuidados e representam imagens de marca da série, como é o caso dos automóveis. Verdadeiras máquinas de sonho e montras de tecnologia, os Bond Cars espelham muito bem o ambiente socio-cultural de cada filme e, todos juntos, constituem por si só um filme que nos revela coisas bem curiosas...

Nos primeiros filmes da série ainda não era dada grande importância ao automóvel como elemento iconográfico. São utilizados modelos de produção corrente embora de aspecto desportivo. Em Doctor No, de 1961, 007 conduz um Sunbeam Alpine Series 5 descapotável azul escuro e no ano seguinte, em From Russia with love, surge ao volante de um muito britânico Bentley Sports Tourer de 4,5 litros que dizem ser o carro favorito do autor da série...

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É somente com o terceiro filme da saga Goldfinger, de 1964, que um automóvel surge associado a Bond: o mítico Aston Martin DB5 prateado (silver birch), quanto a mim o carro mais famoso da série e um dos mais belos de todos os tempos. Pela primeira vez houve o cuidado da "personalizar" o veículo distanciando-o dos outros da produção corrente, já de si muito exclusiva. Os serviços especiais de SM instalaram-lhe uma série de gadgets da melhor tecnologia de ponta da época: metralhadoras dissimuladas, bombas de gás, escudos blindados, assentos ejectáveis, serras corta-pneus (à Ben-Hur), radar (GPS primitivo), matrículas escamoteáveis, lança-pregos e lança-óleo traseiros, telefone, etc.

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Os filmes seguintes contribuíram para reforçar o paradigma do carro desportivo britânico, lugar ocupado pelo fabuloso Aston Martin mesmo depois de Bond ter conduzido ocasionalmente outras viaturas nos filmes seguintes. É preciso esperar por 1977 e por The spy who loved me, já com Roger Moore como protagonista, para ver surgir um novo Bond Car de outra marca mas sempre britânica: o Lotus Esprit Turbo. Ficou para a História a inesquecível transformação do belíssimo carro branco em submarino e a não menos inesquecível saída de água. Esta é a fase psicadélica da série, simbolizada pela famosa perseguição no Citroen 2Cv amarelo em For your eyes only (1981).

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Apesar deste interregno os Aston Martin nunca deixaram de aparecer nos filmes de James Bond mesmo com protagonismos mais discretos como os mais atentos terão reparado. Em 1987 a marca volta ao primeiro plano com a estreia de Timothy Dalton na pele do agente secreto de SM: The living daylights. Desta vez Bond conduz um impressionante Aston Martin DBS V8 Vantage cinza escuro artilhado com propulsão a jacto (?), lança-foguetes dianteiro, kit de neve (esquis, picos nos pneus e corta-gelo), painel de comando holográfico e um laser no eixo da roda traseira! Dois Audi 200 Quattro aparecem profeticamente neste filme.

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Goldeneye (1995) é um filme de transição: de actor e de carro. Pierce Brosnan dá corpo à personagem e senta-se ao volante de um magnífico Aston Martin DBS prateado, o seu "veículo oficial", mas um refulgente BMW Z3 Roadster azul disputa-lhe a exclusividade do protagonismo. Na verdade os carros alemães sempre estiveram presentes na série, principalmente os Mercedes, mas a presença dos BMW era discreta. As grandes marcas europeias tinham compreendido que a série era uma poderosa plataforma de projecção comercial e não é por acaso que o aparecimento em força da BMW neste filme coincide com a compra da Rover Group...

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A partir daqui a cooperação com a marca alemã tornou-se cada vez maior. Um fabuloso BMW 750i telecomandado com um corta-cabos dissimulado sob o logótipo do capot é, mais do que o Aston Martin, a estrela de Tomorrow never dies (1997). Quem esteve com atenção terá visto também o mesmo logótipo nas motas... O penúltimo filme da saga, The world is not enough (1999), confirmou o domínio alemão que concebeu um modelo que foi lançado a par com o filme: o BMW Z8. O modelo prateado utilizado apresenta uma série de extras exclusivos como por exemplo um sistema de navegação com controle remoto e um lança-foguetes. Mr. Bond is powered by BMW (ler bê éme vê)

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Quem desejar saber mais alguma coisa sobre isto tem aqui e aqui links interessantes

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Co-fundador e ex-colaborador do obvious, actualmente retirado, foi responsável durante bastante tempo pela definição da linha editorial. Concebeu e coordenou a transição do blog para o formato de magazine.
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