Recordar Reiser


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Quem ainda se lembra de Jean Marc Reiser? Poucos certamente, mesmo entre os amantes de BD... Os que se lembram têm presente a sua forma espontânea e brusca de desenhar: meia dúzia de linhas rascunhadas com desleixo raivosamente sobre o papel... et voilá! Nada mais errado. Embora Reiser fosse impulsivo por natureza era um maníaco da perfeição. Conhecia bem as suas capacidades de desenho e explorava-as ao máximo com enorme eficácia expressiva.

O desenho de Reiser é uma explosão! Apenas lá está o essencial - o traço que tudo resume. Uma mulher é uma boca? Porque não se está lá tudo? Chegou a esta depuração após muitos anos de trabalho (quem conhece a evolução da sua obra pode constatá-lo). Trabalhava as ideias como poucos. Ria-se primeiro e depois ria-se ainda mais desenhando. Muita coisa o fazia rir inclusive o lado mais negro da vida: a miséria, a morte, o próprio cancro que o matou... Foi apelidado de sórdido, mórbido, obsceno. Obsceno Reiser? Apenas verdadeiro. Era o mais apaixonado e o mais indignado dos homens, sempre revoltado pela injustiça, pelo absurdo e pela miséria da vida.

Um dia, desconfiado, experimentou dar uma corzita nos seus desenhos como faz uma criança quando recebe uma caixa de aguarelas. O resultado deslumbrou-o mas continuou tão meticuloso e tão comedido como sempre com os seus desenhos. O que hoje vos mostro aqui é uma série de estudos para a capa de um dos seus últimos álbuns: Fous d'amour. Provavelmente terão havido muitos mais que deitou fora por não os achar suficiente bons. Não sabemos se a capa pretendida por ele seria a que o editor escolheu. Escolham-na vocês...

(Baseado num texto de Cavanna)

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