Remar contra a maré



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Em 2004 foi decidido dar um forte incremento aos laços de cooperação e às relações comerciais com o Japão. Assim, no âmbito desportivo e do Comércio Externo, decidiram altos responsáveis realizar uma regata entre uma empresa portuguesa tutelada pelo Estado e uma empresa japonesa. A primeira regata realizou-se em Junho de 2004 e, dada a partida, de imediato a equipa japonesa se distanciou, tendo cortado a meta com uma hora de vantagem.

Após o desaire, administradores e directores da empresa portuguesa reuniram para determinar quais as causas de tão desastrosa derrota. Depois de longos e cuidados estudos, verificou-se que na equipa japonesa havia 10 remadores e 1 chefe de equipa e que no conjunto português havia 10 chefes e um remador... Estes factos levaram a empresa a delinear e a pôr em prática uma nova estratégia para a regata de 2005.

Em Junho de 2005, dado o sinal de partida, a equipa nipónica começou logo a ganhar vantagem desde a primeira remada. Desta vez a equipa portuguesa chegou com duas horas de atraso. Administradores e directores voltaram a reunir, após forte reprimenda do Ministério que tutela a empresa. Verificou-se que, uma vez mais, os japoneses tinham feito alinhar uma equipa constituída por 10 remadores e 1 chefe de equipa enquanto a portuguesa, cumprindo as eficazes medidas estudadas, apostara numa formação composta por 1 chefe de serviços, 2 assessores, 7 chefes de secção e 1 remador.

Reunida novamente a equipa técnica, acertaram-se novas estratégias e resolveu-se, por unanimidade, atribuir um voto de desconfiança ao remador pela sua incompetência. No entanto, em Junho de 2006, como era habitual, a equipa nipónica voltou a adiantar-se à portuguesa, cuja embarcação, encomendada ao recém-criado DNT (Departamento das Novas Tecnologias), chegou com quatro horas de atraso.

Após a regata e para avaliar os resultados, celebrou-se uma reunião ao mais alto nível com a participação de toda a Admnistração, chegando-se à seguinte conclusão: este ano a equipa japonesa tinha optado novamente por uma formação de 1 chefe e 10 remadores. E, no entanto, a Direcção Técnica com o apoio de uma Auditoria Externa e do Departamento de Informática, tinha idealizado uma formação revolucionária constituída por 1 chefe de serviços, 3 chefes de secção, 2 auditores e 4 seguranças que vigiariam o desempenho do remador.

Na mesma reunião foi decido abrir um processo disciplinar ao remador com perda de todos os abonos e incentivos devido aos fracassos acumulados. Foi ainda decidido que, para 2007, o remador seria admitido apenas com contrato a prazo, pois verificara-se que, a partir do vigésimo quinto quilómetro, o mesmo demonstrara algum desinteresse e mesmo alguma indiferença ao cruzar a linha de chegada...

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Co-fundador e ex-colaborador do obvious, actualmente retirado, foi responsável durante bastante tempo pela definição da linha editorial. Concebeu e coordenou a transição do blog para o formato de magazine.
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