WEB 2.0 - TAGS


2006082300 Web2.0 Parece-me que certos conceitos inovadores são, por vezes, difíceis de perceber por pessoas que não possuam algum background técnico... por me parecer importante, resolvi escrever um artigo que tenta esclarecer alguns conceitos que são extremamente importantes no contexto da Internet Actual.

Actualmente a Internet faz parte do nosso quotidiano, começando a ser encarada como um serviço básico e uma ferramenta que nos habituamos a utilizar cada vez mais e em situações nunca antes imaginadas. Com o advento da banda larga e a total cobertura do território Português por esta tecnologia, possuímos condições de acessibilidade à rede ímpares, contribuindo para que a utilização da Web se torne cada vez mais numa rotina diária. Do ponto de vista dos serviços, os últimos dois anos têm sido verdadeiramente diferenciadores, com novas aplicações e serviços disponíveis de uma forma completamente gratuita, e com interfaces verdadeiramente revolucionários que fazem com que aplicações via web, do ponto de vista de funcionalidade e desempenho, se assemelhem ou mesmo ultrapassem as aplicações que instalamos nos nossos computadores de secretária. Actualmente, entramos numa nova era. A era da WEB 2.0.

A WEB 2.0

Há cerca de cinco anos atrás deu-se o ponto de viragem na Internet. No auge da bolha das dot-com, como ficou vulgarmente conhecido, apareceram centenas de milhares de sites à volta do globo que procuravam encontrar o seu espaço. Por um lado, a Internet massificada do grande público possuía o potencial da globalização, por outro, era urgente a existência de mais e melhores conteúdos. Surgiu de tudo um pouco: Enciclopédias que se colocaram on-line (Britânica Online), Jornais e revistas de referência, Sites de Música, Directórios (Yahoo!) e até páginas pessoais de utilizadores anónimos. No entanto, o denominador comum neste modelo continuava a ser uma clara separação entre os fornecedores de conteúdos e os consumidores. Não havia muita tecnologia facilitadora que permitisse que muitos dos conteúdos fossem massificados, sendo a publicação efectuada por entidades e organismos mais ou menos centrais e bem identificados. A alternativa das páginas pessoais, era extremamente técnica e colocava de fora a maioria das pessoas. A interface de utilização e apresentação de muitos serviços era também, por vezes, inflexível e limitativa, pelo facto se somente serem uma nova cara de um suporte já existente, como no caso das revistas e jornais. Em suma, a experiência web existia, mas claramente, estávamos cientes de que havia um fosso bem demarcado entre uma aplicação local do nosso computador e a web.

No pós dot-com, a abordagem por parte dos grandes participantes na Internet mudou. Um pouco por todo lado, começaram a surgir novos conceitos e ideias que muito rapidamente se tornaram em tendências por parte da comunidade web. Para por em prática estes novos conceitos e abordagens era claro que seria necessário um novo modelo de funcionamento global, que para além dos conteúdos e serviços já existentes trouxesse novas motivações aos utilizadores, e tornasse a web verdadeiramente participada e democrática aos mais diversos níveis. Para que tal acontecesse, não poderiam somente fazer-se alguns desenvolvimentos na tecnologia já existente, mas deveriam ser re-equacionados os problemas, dando origem a uma web nova, assente num paradigma e arquitectura que a projectasse para o século XXI.

Se a WEB1.0 era uma rede que interligava diversas plataformas, cada uma das quais com as suas mais valias, a WEB2.0 é a rede como uma gigantesca plataforma que comunica e partilha conteúdos e serviços, potenciando uma verdadeira arquitectura participada, onde os conteúdos pessoais, produzidos por cada um de nós, encontram o seu espaço e obtém a divulgação adequada. A própria experiência de navegação e consulta desses conteúdos e serviços por parte do grande público, pode re-alimentar esta plataforma, fornecendo indicadores de popularidade que poderão ser utilizados para destacar ou classificar melhor a informação.

Um serviço deixou de ser algo meramente monolítico, residente num único site, desenvolvido e alimentado por uma única entidade. A metáfora de página web com apenas conteúdo in-house desaparece em favor de uma página que para além do conteúdo de produção própria, possa incluir conteúdos externos, como artigos de agências noticiosas, fotografias, calendários, notas, estatísticas dos utilizadores, etc. Tudo isto de uma forma completamente dinâmica e descentralizada. A fronteira da incompatibilidade de conteúdos é ultrapassada através da novos standards que permitem a normalização e organização da informação produzida, permitindo que esta seja re-aproveitada, re-misturada e apresentada de uma forma nova. Bons exemplos desta abordagem são o NetVibes, que nos permite criar a nossa página web, com uma incrível diversidade de objectos e componentes, e, o Bloglines que nos permite publicar, procurar, partilhar e subscrever informação.

As interfaces gráficas sofreram também uma grande actualização, com o aparecimento de tecnologias que permitem levar a experiência de utilização a níveis nunca dantes experimentados. Os objectos que aparecem nas páginas deixam de ser caixas de texto ou imagens estáticas, para serem componentes reutilizáveis em vários cenários, como no caso do NetVibes. Passou-se de um modelo síncrono de pedido-resposta, em que as pessoas clicavam num link e esperavam que algo acontecesse, para um modelo assíncrono, com vários pedido-resposta a acontecerem simultaneamente sem que o utilizador saiba. No final, pretende-se que algumas limitações das tecnologias de internet não venham ao de cima, permitindo uma experiência de interacção muito mais rica. O GMail e o Google Maps foram pioneiros neste conceito, abrindo caminho para toda uma nova geração de aplicações.

WEB2.0, nas palavras de Tim O’Reilly, não tem fronteiras bem definidas, mas sim, um núcleo gravitacional, onde orbitam vários conceitos e recomendações das quais se destacam: - Participação - Descentralização - Confiança no conteúdo dos utilizadores - Interfaces de utilização ricos - Mistura de conteúdos - Normalização e organização de informação

Informação e a sua classificação

Na WEB2.0, tudo se resume a uma única palavra: informação. As informações e conteúdos que circulam na web no dia-a-dia, estão em constante análise e avaliação por diversos tipos de mecanismos, sendo criadas relações de relevância entre as informações a partir dessa avaliação. As pessoas, por sua vez, quando fazem buscas por uma determinada informação, obtém um resultado de algo que já foi classificado e relacionado através de um método pré-definido.

Por exemplo, quando consultamos a pesquisa do SAPO, os mecanismos de recolha de informação desse serviço, já obtiveram informações de diversos locais na internet, e, através de um conjunto de regras, foram efectuadas avaliações e classificações desses conteúdos, para que quando um utilizador procure por uma determinada palavra chave, lhe sejam mostrados resultados extremamente relevantes. O próprio utilizador, por sua vez, ao clicar numa das várias propostas (links), contribui para que o serviço perceba quais as opções mais populares dos utilizadores, permitindo ao serviço, posteriormente, melhor classificar e apresentar a informação, através de uma experiência colectiva. Estes são meros exemplos de como a informação publicada por todos é tratada na internet.

Conclui-se rapidamente que, para além da informação, o processo de tratamento e co-relacionamento desta é fundamental. Aqui surgem então os processos de Taxonomia, que nada mais são do que o estudo e classificação das coisas. Algo que se traduz no acto de classificar, identificar e dar nomes. Por exemplo, quando um bibliotecário pega num livro, e o classifica numa categoria já existente (ficção, drama, policial, etc.), por autor, ou por acontecimentos sociais, estamos perante um processo de Taxonomia.

Apesar de existirem várias maneiras de tratar e classificar informação, houve uma que ganhou muita popularidade no mundo dos blogs, e que actualmente, está em franca expansão. Chama-se Folksonomia, ou a democratização da classificação da informação

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A Folksonomia é a conjunção de duas palavras, “folk” (povo, pessoas) e “taxonomia”. Algo que pode ser traduzido como a “classificação efectuada por pessoas”. Em vez de ser utilizada uma forma hierárquica e centralizada de categorização de informação (taxonomia), as pessoas escolhem simplesmente palavras-chave (TAGS, ou etiquetas) que melhor dão um significado ao objecto (texto, imagem ou som) que pretendem classificar, numa semântica mais clara e objectiva.

Por exemplo, tradicionalmente, quando se submetia uma pagina no directório do SAPO, que falasse do argumento de um filme do João César Monteiro, provavelmente, seria colocado debaixo da área de “Arte e cultura” / “Cinema”, com um qualquer título. Após esse processo taxonomico, os utilizadores, ao acederem a esta área, poderiam então percorrer toda a secção, e, ao encontrar o título, aceder-lhe. Obviamente que se poderia ainda procurar a informação através de uma pesquisa pelo autor, mas se por uma qualquer infelicidade esse texto não referenciasse o nome “João César Monteiro” e somente o nome do filme, teríamos alguma dificuldade em encontrar a informação.

Recorrendo ao processo de democratizado de classificação, o utilizador escolhe as palavras-chave, ou TAGs, que melhor caracterizam a informação ou parte dela e, simplesmente, submetem a informação no serviço. No exemplo acima referido, o utilizador poderia adicionar as seguintes TAGs: “Cinema João César Monteiro Branca de Neve”. Quando outro utilizador efectuar uma pesquisa por alguns desses termos, obterá como resultado a informação que foi submetida. Mas a grande flexibilidade deste modelo de classificação vem ao de cima se, para além do texto que foi procurado, sejam também retornadas fotografias do autor e pequenos filmes que foram classificados usando uma daquelas TAGs, num serviço completamente diferente. Numa pesquisa mais geral no SAPO, podemos também encontrar textos de blogs que falem sobre o autor, ou sobre o filme. O segredo é que, as pequenas etiquetas, tags, utilizadas para a classificação, podem ser partilhadas por um grande conjunto de serviços, relacionando todos os conteúdos, onde quer que eles estejam.

Adicionalmente, como esta tags são escolhidas por um sem número de pessoas, a probabilidade da inteligência colectiva classificar bem a informação, é superior, a inteligência de um pequeno grupo de pessoas que gere o serviço onde é submetida a informação.

Existem já diversos serviços web que utilizam tags. Classificar as fotos e partilha-las com amigos no fotos.sapo.pt, nos textos que são escritos nos blogs.sapo.pt ou ainda no sistema de bookmarks sociais recentemente lançados no tags.sapo.pt. Este último permite-nos guardar os nossos URLs num servidor central e atribuir-lhe tags, dando-lhes assim significado e classificação. Este URL pode ser um apontador para praticamente qualquer tipo de conteúdo, seja ele texto, imagem ou filme.


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