
Brinca enquanto souberes!
Tudo o que é bom e belo
Se desaprende...
A vida compra e vende
A perdição,
Alheado e feliz,
Brinca no mundo da imaginação,
Que nenhum outro mundo contradiz!
Brinca instintivamente
Como um bicho!
Fura os olhos do tempo,
E à volta do seu pasmo alvar
De cabra-cega tonta,
A saltar e a correr,
Desafronta
O adulto que hás-de ser!
Miguel Torga
3 comentários
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Dina
Não costumo comentar poesia. Até porque, na maioria das vezes, resta-nos pouco ou nada acrescentar. Relativamente a esta também pouco há dizer. Todavia, apeteceu-me fazê-lo. Aborda o meu tema preferido - a brincadeira.
Normalmente, para que desculpem as minhas tolices, costumo dizer: ainda que o tempo sulque o meu rosto com rugas, continuarei a brincar até que os meus olhos se fechem para sempre (isto no caso de ninguém mos fechar, claro....ihihih)
Bom, como se pode ver, hoje estou mesmo para a parvoíce...
seven
Sim, a maior parte das vezes não há nada a acrescentar a algo dito de uma forma que nunca conseguiríamos dizê-lo. Basta-nos admirar e reflectir.
A propósito disto era Picasso que dizia qualquer coisa como "precisamos da vida inteira para aprendermos a ser crianças". Escrevi isso aqui:
http://blog.uncovering.org/archives/2005/04/quatro_tempos_1.html
Também publiquei um texto de Herberto Hélder, belíssimo, sobre a juventude e a velhice:
http://blog.uncovering.org/archives/2006/05/e_tudo_mentira.html
bigmac
Se Miguel Torga tivesse visto o jogo da selecção não iria brincar, no mínimo insultaria as putas de voz fininha que dão 3 por noite, aqui fica uma resenha poética de nomes apelativos:
INSULTOS POÉTICOS
Saudações,
Bigmac