A arte do encontro


 Musica Poesia MPB Vinicius Moraes

Poeta e ex-diplomata, o branco mais negro do Brasil - era assim que se autodefinia Vinicius de Moraes. Se estivesse vivo teria completado hoje precisamente 93 anos o que seria uma bela idade... Infelizmente, desde 1980 que o poetinha já não pertence a este mundo embora permaneça bem vivo na memória de muitos de nós. Para mim Vinicius tem um significado especial. Foi com ele que me iniciei nos sons da MPB: Tarde em Itapoã, Samba da Benção, Testamento, A Tonga da Mironga do Kabuletê e outras, todas de parceria com Toquinho.

Mais tarde tomei contacto com outras composições suas de outras parcerias: Carlos Lyra, Baden Powel e, inevitavelmente, Tom Jobim. Não cairei na armadilha fácil do elogio do que é evidente nem na enumeração dos incontáveis sucessos de ambos, por demais conhecidos. Mas gostava de evocar um homem profundamente culto mas humilde, humano e apaixonado, que nos falou do que é amar demais, da Beleza e da Vida, a arte do encontro, apesar de tanto desencontro. Tudo isto Vinicius viveu tanto quanto o cantou, poeta verdadeiro, tudo de repente, não mais que de repente...

Saravá Vinicius. Sua benção.

De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei-de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento,

E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure.

Soneto da Fidelidade, da composição Eu sei que vou te amar


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