Leonard Cohen - A história de Suzanne

Ficou a memória do passado, da juventude, de momentos eternos, de um entendimento profundíssimo e de uma tristeza e nostalgia que nunca mais deixámos de encontrar nas canções do poeta que sempre considerou ser esta a melhor composição de toda sua carreira.


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Suzanne Verdal McCallister era uma jovem dançarina casada com um escultor de seu nome Armand Vaillancourt. Conheceram-se quando dançavam os dois num local chamado Le Vieux Moulin perto do Quebec, no Canadá. Numa das suas actuações foram apresentados a um indivíduo que se dizia ser poeta e escrever canções. O encontro foi breve. No Verão de 1965 Suzanne vivia numa precária roulotte junto à margem do rio St. Lawrence, num local paradisíaco. Foi por esta altura que começou a receber a visita periódica daquele poeta que conhecera três anos antes. Passaram algum tempo juntos. Acendiam uma vela, bebiam chá e ficavam a olhar um para o outro calados; outras vezes falavam das coisas da vida e trocavam ideias.

ZZ5ECD018E.jpg Suzanne Verdal - 1967

Desses encontros nasceu uma relação muito especial. O rio e a beleza do local fortaleceram os laços dessa amizade, certamente. O poeta absorvia tudo da dançarina: a sua maneira de falar, de andar, o jeito de vestir, ouvia-a rezar em silêncio... parecia ler-lhe os pensamentos. Entre eles havia perfeita sincronia, uma comunhão de espíritos. O poeta descreveu minuciosamente todos estes momentos partilhados e mais tarde musicou os seus escritos numa composição intimista. Chamava-se Leonard Cohen.

Mais tarde encontraram-se algumas vezes, uma delas num hotel em Montreal. O poeta era agora um famoso compositor. Podiam naquele momento ter estado juntos e partilhado mais alguma intimidade mas Suzanne recusou, embora o tivesse talvez desejado. Cohen sentiu isso como sentira tudo o resto; aquele encontro seria o derradeiro. Os dois espíritos que em tempos se amaram separaram-se. Ele ficou famoso; ela foi sucumbindo aos anos e caiu no esquecimento. Ficou a memória do passado, da juventude, de momentos eternos, de um entendimento profundíssimo e de uma tristeza e nostalgia que nunca mais deixámos de encontrar nas canções do poeta que sempre considerou ser esta a melhor composição de toda sua carreira.

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Suzanne takes you down to her place near the river You can hear the boats go by You can spend the night beside her And you know that she's half crazy But that's why you want to be there

And she feeds you tea and oranges That come all the way from China And just when you mean to tell her That you have no love to give her Then she gets you on her wavelength And she lets the river answer That you've always been her lover

And you want to travel with her And you want to travel blind And you know that she will trust you For you've touched her perfect body with your mind.

And Jesus was a sailor When he walked upon the water And he spent a long time watching From his lonely wooden tower And when he knew for certain Only drowning men could see him

He said "All men will be sailors then Until the sea shall free them" But he himself was broken Long before the sky would open Forsaken, almost human He sank beneath your wisdom like a stone

And you want to travel with him And you want to travel blind And you think maybe you'll trust him For he's touched your perfect body with his mind.

Now Suzanne takes your hand And she leads you to the river She is wearing rags and feathers From Salvation Army counters And the sun pours down like honey On our lady of the harbour

And she shows you where to look Among the garbage and the flowers There are heroes in the seaweed There are children in the morning They are leaning out for love And they will lean that way forever While Suzanne holds the mirror

And you want to travel with her And you want to travel blind And you know that you can trust her For she's touched your perfect body with her mind.

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Uma entrevista com Suzanne Verdal McCallister datada de 1998 pode ser encontrada aqui.


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