
Morte de um miliciano, Robert Capa, Cerro Muriano, 5 de Setembro de 1936 (25,5 x 35cm)
Escrito no verso, a tinta:
Please credit ROBERT CAPA – MAGNUM / COURTESY – LIFE MAGAZINE.
Legenda dactilografada em papel anexo:
Panel 4. The moment of death, one of Bob Capa’s most dramatic photos, was taken in the instant a Loyalist soldier was dropped by a bullet through his head during the battle to defend Cadiz in the early part of the Spanish civil war, from the encircling insurgent forces.
…Rita Grosvenor, uma jornalista britânica destacada em Espanha, informou que um cidadão espanhol, chamado Mário Brotóns Jordá, havia identificado o homem da fotografia de Robert Capa como um tal Federico Borrel Garcia, que havia sido abatido na batalha de Cerro Muriano a 5 de Setembro de 1936.
(…) …nos arquivos de Madrid e Salamanca havia um documento em que se afirmava que apenas um homem das milícias de Alcoy havia morrido em Cerro Muriano (…) Quando Mário Brotóns mostrou a fotografia de Robert Capa à viúva do irmão de Federico Borrel, ela confirmou a sua identidade.
(…) O facto perturbador de que o soldado aparece com as plantas dos pés apoiadas no chão, assim como a forma particularmente perturbadora como o homem sustém o seu fuzil (que indica que não o estava a usar naquele momento), levaram-me a reconsiderar a história que Hansel Mieth, fotógrafa da revista Life, me transmitiu em finais dos anos trinta (…). Segundo Mieth, Robert Capa havia-lhe contado um dia, muito alterado, as circunstâncias em que havia realizado a sua célebre fotografia:
- Estavam a fazer palhaçadas – disse ele. Todos estávamos a fazer coisas muito tontas. Mas estava tudo a correr muito bem. Não havia disparos. Desciam a correr pela encosta. Eu também corria.
- Pediste-lhes que encenassem um ataque? – perguntou Mieth.
- Absolutamente. Estávamos contentes. Se calhar estávamos um pouco loucos.
- E então?
- Então, de repente, aquilo converteu-se em algo real. A princípio não ouvi o disparo.
- Onde estavas tu?
- Ali mesmo, um pouco adiantado e ao lado deles.
(…) Robert capa limitou-se a acrescentar que aquele episódio o havia atormentado muito (…) que se sentia parcialmente culpado pela morte daquele homem. (…) … a publicação da fotografia nas revistas Vu e Life (…) foi amplamente aclamada como a mais impressionante e directa fotografia de guerra de todos os tempos.
In Richard Whelan, “Robert Capa. A biography”
Comentários
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.
Amoleilinha (defesa central)
Acreditas se quiseres, mas quando abri o blog, apareceu o texto com o título «a mais famosa fotografia de sempre». Enquanto carregava a imagem pensei: «só pode ser a do Capa». Bingo. Depois admiti que podia ser a do Korda (Che) ou aquela da francesa a beijar o soldado americano no dia da libertação (Cartir Bresson?) Esta é a minha preferida.
seven
Realmente esta fotografia instalou-se de tal maneira na nossa memória que, mesmo havendo outras igualmente famosas e até tecnicamente e artisticamente superiores, se tornou num ícone do fotojornalismo e da fotografia. É irónico que tenha sido obtida de forma tão insólita.
E, já agora, também outra coisa a propósito do teu comentário: às vezes hesito muito nos títulos dos posts e chego mesmo a mudá-los várias vezes. Neste não hesitei um segundo que fosse...
Anonimo
Esta foto impressiona muito é uma daquelas coisas que faz parte da coletividade cultural mundial. Mas não conhecia a história da imagem.
silvioafonso
.
Sonhar com música, chorar por gente e viver rezando por quem não conhece Deus é sublime, senão divino.
Com estas certezas é que a psicologia faz o seu castelo, não de cartas, mas de pessoas.
Enfileiram os nobres e ao lado os pobres, assim como os que nada têm, porém nada lhes falta.
Deve ser lindo morar na praia, mas deve ser maravilhoso ter o mar como sepultura para os sonhos que não tem cara e não tem cor.
A música põe data nos fatos, cor nas paisagens, antes cinzentas e sabor na boca de quem já esqueceu do gosto ou não comeu.
A música é bálsamo, é porre, é Deus, é diabo. É o sim e o não que compõem a trilha sonora da vida dos ambiciosos por paz e felicidade, mesmo que não tenham tido a ventura de sorrir mais de uma vez a cada dia.
Beijos a quem lembrar do meu nome e um sorriso para os que buscam saber de mim.
silvioafonso.
.